Sindiserv lança abaixo-assinado e intensifica mobilização pela municipalização das UPAs em Caxias do Sul
Atrasos de salários e insatisfação com a terceirização impulsionam campanha para transferir gestão das unidades para o município
Um movimento promovido pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul (Sindiserv) ganhou força nos últimos dias com o lançamento de um abaixo-assinado que pede a municipalização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Caxias do Sul — em especial, as unidades Central e da Zona Norte. A mobilização ocorre em meio a uma série de conflitos em torno da terceirização da gestão das unidades de saúde, que resultou em atrasos de pagamentos a profissionais e em debates intensos entre servidores, vereadores e a comunidade.
A crise nas UPAs e os impactos da terceirização
As duas principais unidades de pronto atendimento da cidade — a UPA Central, localizada no Centro, e a UPA Zona Norte no bairro Centenário II — são geridas, atualmente, por empresas contratadas por meio de contratos de gestão firmados com o município. A terceirização, implementada ao longo dos últimos anos, passou a ser questionada após episódios de atrasos no pagamento de médicos e demais profissionais, que motivaram paralisações parciais dos atendimentos e manifestações dos sindicatos da área da saúde.
Em janeiro deste ano, o Sindicato dos Médicos anunciou a paralisação parcial dos atendimentos nas UPAs por causa de atrasos nos repasses aos profissionais terceirizados, o que também resultou em apenas serviços de urgência e emergência sendo mantidos. A prefeitura responsabilizou a empresa gestora pela situação, afirmando que os repasses foram feitos dentro dos prazos contratuais, mas que a execução dos pagamentos cabe às gestoras.
Sindiserv promove abaixo-assinado por municipalização
Diante desse cenário, o Sindiserv organizou um abaixo-assinado que propõe a municipalização das UPAs, ou seja, que o próprio município assuma diretamente a gestão das unidades, e não por meio de instituições terceirizadas. A campanha foi lançada no site oficial do sindicato e pode ser assinada por servidores, profissionais da saúde e membros da comunidade em geral.
Segundo o sindicato, a municipalização permitiria maior controle público sobre os serviços, melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde e garantia de continuidade e qualidade de atendimento à população. A entidade argumenta que a terceirização, além de ter gerado instabilidade nos pagamentos, precariza as relações de trabalho e dificulta a gestão eficiente dos recursos humanos e financeiros no setor.
A presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, tem reiterado que a municipalização é um passo essencial para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) no município, garantir vínculos mais estáveis aos servidores e aprimorar a prestação de serviços à população. Em um documento oficial entregue à Secretaria Municipal da Saúde, a entidade solicitou que a Prefeitura avalie esse modelo de gestão como alternativa ao atual contrato com empresas terceirizadas.
Reações e debates políticos
A questão da gestão das UPAs também vem sendo debatida na Câmara de Vereadores, com vereadores de diferentes espectros políticos pressionando por soluções para os desafios enfrentados nos atendimentos de urgência e emergência. Há discursos que defendem tanto a manutenção de contratos de gestão quanto a adoção de um modelo de gestão direta, a fim de assegurar mais transparência, estabilidade e supervisão das atividades essenciais de saúde pública.
O que está em jogo
A mobilização sindical e as discussões políticas em torno das UPAs representam uma das principais pautas de saúde pública em Caxias do Sul em 2026. Moradores, profissionais de saúde e lideranças locais acompanham de perto os desdobramentos e aguardam uma definição clara das autoridades municipais quanto ao futuro da gestão das unidades, especialmente em um contexto de crescente demanda por serviços de urgência e pressões por maior eficiência e qualidade no atendimento.
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