Candidatos em 2026: a nova geração de ‘nepobabies’ que herdou o poder
Dinastias políticas marcam a eleição de 2026 no Brasil
A eleição de 2026 no Brasil revela uma continuidade das dinastias políticas, com filhos de políticos tradicionais se lançando às urnas. Este fenômeno, que se intensifica em diversas regiões, destaca a presença de candidatos que já possuem uma trajetória familiar no cenário político.
Os chamados “nepobabies”, herdeiros que se beneficiam do sobrenome e das conexões familiares, estão em evidência. Essa expressão, originada da cultura pop, refere-se a indivíduos que aproveitam a posição privilegiada da família para garantir acesso a partidos, financiadores e redutos eleitorais. Essa dinâmica não é restrita a uma única ideologia ou partido, abrangendo todo o espectro político.
Um exemplo notável é a família Bolsonaro, cujos membros estão em plena campanha: Flávio Bolsonaro busca a Presidência, Carlos Bolsonaro concorre ao Senado, e Jair Renan Bolsonaro tenta uma vaga na Câmara. A influência do pai, Jair Bolsonaro, permanece central nas campanhas dos filhos, especialmente na de Flávio, que se baseia na defesa do legado familiar.
Em Alagoas, a tradição familiar é representada por Álvaro Lira, conhecido como Alvinho, que, aos 20 anos, é filho de Arthur Lira e neto de Benedito de Lira. Ele disputa uma vaga na Câmara enquanto seu pai concorre ao Senado, tendo já experiência política ao ter atuado em uma prefeitura sob a orientação do avô.
Outro exemplo em Alagoas é Renan Filho, do MDB, que busca o governo estadual, enquanto seu pai, Renan Calheiros, tenta a reeleição no Senado. Essa perpetuação de nomes familiares é uma característica marcante na política nordestina, onde o coronelismo histórico se adaptou às novas realidades eleitorais.
No Nordeste, a presença de dinastias é evidente. Na Paraíba, Efraim Filho e Veneziano Vital do Rêgo, ambos filhos de políticos proeminentes, estão em disputa por cargos importantes. No Maranhão, candidatos como Pedro Lucas Fernandes e Marreca Filho seguem a tradição familiar, assim como em outros estados do Nordeste, onde sobrenomes continuam a ter peso nas eleições.
A Bahia também se destaca por suas dinastias políticas, com ACM Neto, neto de Antônio Carlos Magalhães, buscando o governo estadual. Outros candidatos, como Diego Coronel e Félix Mendonça Júnior, igualmente representam a continuidade de legados familiares.
Em Pernambuco, João Campos, filho de Eduardo Campos, busca o governo, destacando a relevância do sobrenome na política local. Sua trajetória, que inclui mandatos anteriores, é indissociável do legado familiar. A família Coelho também está presente na disputa, com Fernando Coelho Filho buscando a reeleição federal.
O Sudeste e o Sul do Brasil não ficam atrás, com candidatos como Baleia Rossi e Dani Cunha, que são filhos de políticos conhecidos. Em Minas Gerais, Newton Cardoso Júnior e Lafayette Andrada representam famílias tradicionais, enquanto no Paraná, Zeca Dirceu e Felipe Francischini seguem a mesma linha.
No Tocantins, Vicentinho Júnior busca o governo, e em São Paulo, Simone Tebet, filha de um ex-senador, tenta o Senado, mostrando que a herança política se estende por todo o país.
O caso de Tomás Covas, que, embora não seja candidato, ilustra como a construção de uma dinastia política pode começar muito antes da candidatura. Desde jovem, ele foi apresentado como um potencial político, demonstrando que a preparação para a política é um processo contínuo que se inicia na juventude.
Assim, a eleição de 2026 não apenas reflete a continuidade das dinastias políticas, mas também revela como a preparação e a construção de legados familiares são fundamentais para a renovação e manutenção de poder no cenário político brasileiro.
