Intenção de consumo das famílias cai 0,6% em agosto, segundo CNC

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Percepção negativa sobre o mercado de trabalho impacta intenção de consumo das famílias.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apresentou uma queda de 0,6% em agosto em comparação a julho, alcançando 104,9 pontos. Essa retração foi impulsionada pela deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho.

O componente de Perspectiva Profissional foi o que mais contribuiu para essa queda, com um recuo de 1,9%, além de uma significativa redução de 9,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Essa tendência reflete um ambiente de incertezas que afeta a confiança dos consumidores.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac destacou que o comportamento mais cauteloso das famílias é resultado de um “ambiente financeiro pressionado”, influenciado pela taxa Selic, atualmente em 14,0% ao ano. Esse cenário econômico tem gerado preocupações entre os trabalhadores sobre a estabilidade de seus empregos.

A CNC aponta que a crescente inadimplência entre empresas gera instabilidade em toda a atividade econômica, o que, por sua vez, afeta a confiança dos trabalhadores. Apesar de uma leve melhora na avaliação do Emprego Atual, a apreensão sobre o futuro do mercado de trabalho persiste.

A fragilidade percebida na saúde financeira das empresas leva os consumidores a adotarem uma postura mais cautelosa, adiando decisões de gastos. Embora haja sinais de melhora em alguns indicadores de consumo, como a inflação dentro da meta e uma tímida redução da Selic, esses fatores não são suficientes para garantir uma sensação de segurança no curto prazo.

A economista da CNC, Catarina Carneiro, ressaltou que, mesmo com um mercado de trabalho aquecido, a perspectiva futura é marcada por incertezas. A retração nas intenções de compra afetou quase todos os subíndices analisados, com quedas notáveis em Renda Atual, Nível de Consumo Atual, Acesso ao Crédito e Momento para Duráveis.

A disposição para adquirir bens de maior valor apresentou um avanço de 17,5% em relação ao ano anterior, mas ainda se encontra em um patamar desfavorável, marcando 75,8 pontos, abaixo do nível neutro de 100 pontos. Essa situação evidencia a cautela dos consumidores diante de um cenário econômico instável.

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