Agentes de IA ampliam sua influência e exigem maior governança das empresas

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Inteligência artificial: foco em governança é essencial para o sucesso das empresas

Empresas que encaram a inteligência artificial (IA) apenas como uma questão tecnológica estão perdendo o foco. Essa foi a mensagem central do painel “Decidir em tempo real, quando dados viram ação”, realizado no IT Forum Praia do Forte 2026.

O vice-presidente sênior da ServiceNow para a América Latina, Federico Grosso, destacou que a estratégia de IA falha quando se concentra excessivamente na tecnologia em si. Ele enfatizou que o mercado atingiu um nível de maturidade em que as discussões devem se deslocar para temas como segurança e governança.

Um dos principais desafios enfrentados pelas empresas tradicionais é a organização interna. Grosso observou que a integração de diferentes silos de informação não é uma tarefa simples, pois cada um possui suas próprias governanças e questões de segurança. A ServiceNow, com sua experiência de 20 anos em fluxos de trabalho, agora incorpora decisões automatizadas nesses processos.

Agentes zumbis e torre de controle

As equipes corporativas se tornaram híbridas, misturando humanos e agentes automatizados em suas operações. Essa nova configuração trouxe à tona a necessidade de um controle mais eficiente. A solução proposta pela ServiceNow é a AI Control Tower, uma ferramenta que monitora a localização dos agentes, seus gastos e as permissões de acesso.

Na prática, as permissões nem sempre refletem a realidade do que acontece. Grosso fez uma analogia com filmes de zumbis, onde os agentes podem agir de maneira inesperada. Ele argumentou que a gestão desses agentes deve seguir o mesmo ciclo de um funcionário humano, levantando questões sobre integração e aposentadoria.

Dado governado e custo menor

Ricardo Buffon, da Databricks, abordou o acesso aos dados como um dos principais desafios atuais. Com 13 anos de atuação, sendo seis deles no Brasil, a empresa se baseia em quatro pilares: contexto e governança dos dados, controle sobre o uso das informações, padrões abertos e previsibilidade de custos. Buffon ressaltou a importância de permitir que as áreas de negócios utilizem tecnologias sem perder o controle interno.

Ele descreveu o momento atual como um ciclo infinito de dados, onde a informação relacional se torna analítica e gera decisões de negócios. A eficiência nesse ciclo é o que diferencia as empresas no mercado. Exemplos práticos mostram que a governança é crucial para o sucesso. A Cielo, por exemplo, transferiu mais de seis mil pipelines de dados para uma nova plataforma, permitindo que executivos consultem informações em linguagem natural, reduzindo custos de ingestão em mais de 30%.

Outro exemplo é o Einstein, que facilita a busca de resultados de exames em linguagem natural, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Arezzo também se beneficiou ao construir um painel que permite aos funcionários acompanhar comissões em tempo real, aumentando as vendas através de um canal mais visível.

Da Copa do Mundo ao cliente médio

Claudio Stopato, da Lenovo, compartilhou a experiência da empresa na Copa do Mundo, onde colaborou com a FIFA na criação de avatares de jogadores usando mais de 2.000 câmeras. Ele destacou a importância do acesso a informações em tempo real durante os jogos, como na partida entre Colômbia e Portugal, onde a marcação de impedimento foi exibida instantaneamente.

Com mais de 17 mil dispositivos conectados e 200 engenheiros em campo, a Lenovo utilizou tecnologia avançada para melhorar a qualidade das transmissões. Stopato argumentou que a mesma tecnologia utilizada em grandes eventos está disponível para empresas de todos os tamanhos que desejam competir no mercado.

O cliente como centro de gravidade

No encerramento do painel, os participantes discutiram a importância do compartilhamento de dados entre empresas. Stopato comparou esse fenômeno a uma maré que eleva todos os barcos, destacando o papel do fator humano na validação das ferramentas tecnológicas. Grosso observou que a configuração do mercado de software está mudando, com novos fornecedores entrando no jogo e transformando os clientes em centros de gravidade no ecossistema.

A orquestração necessária para o sucesso envolve recursos, visão, governança e estratégia, além da tecnologia em si. Buffon concluiu afirmando que, ao contrário do que se pensava, o papel do CIO está mais forte do

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