Foguete sul-coreano é destruído pela FAB 35 segundos após lançamento no Maranhão
Foguete sul-coreano é destruído após desvio de trajetória durante teste no Brasil.
Um foguete sul-coreano, desenvolvido pela InnoSpace, foi destruído pela Força Aérea Brasileira (FAB) aproximadamente 35 segundos após a decolagem do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, em uma quarta-feira. O lançamento fazia parte de um teste do foguete suborbital Sebit, que apresentou um desvio em relação à trajetória planejada e anomalias durante a subida.
Diante da alteração de rota, a FAB acionou o Sistema de Terminação de Voo, interrompendo a missão e fazendo com que o foguete caísse em uma área marítima previamente definida, sem causar feridos ou danos às instalações. A situação levanta a questão de como um foguete desenvolvido por uma empresa da Coreia do Sul foi lançado a partir de uma base brasileira. O Centro de Lançamento de Alcântara é uma das localizações mais estratégicas do mundo para atividades espaciais, sendo utilizado não apenas pelo Brasil, mas também por empresas espaciais estrangeiras.
O lançamento do Sebit ocorreu às 16h30, no horário de Brasília. Nos momentos iniciais, a decolagem foi bem-sucedida, mas logo o monitoramento detectou que o foguete estava se afastando da trajetória estabelecida. Por conta disso, foi acionado o Sistema de Terminação de Voo (FTS), um mecanismo de segurança fundamental em lançamentos espaciais, que permite interromper o voo quando há risco. A decisão foi tomada após a identificação do desvio de trajetória.
O voo foi encerrado cerca de 35 segundos após a decolagem, com o foguete caindo em uma região marítima segura, previamente delimitada como zona de segurança. Desta forma, não houve vítimas ou danos ao Centro de Lançamento de Alcântara.
O Sebit é um foguete suborbital multipropósito projetado pela InnoSpace para transportar cargas a altitudes de até 100 quilômetros e realizar missões de pesquisa e validação tecnológica. O teste tinha como objetivo coletar dados sobre o desempenho do foguete durante o voo, incluindo informações cruciais para entender seu comportamento e identificar possíveis problemas. Apesar do término antecipado da missão, a empresa conseguiu reunir dados que serão analisados para investigar as causas do desvio de trajetória. As informações coletadas incluem dados sobre:
- plataforma de lançamento;
- sistema de propulsão;
- guiagem, navegação e controle (GNC);
- sistema de rastreamento;
- altitude, distância e tempo de voo.
A InnoSpace anunciou que irá analisar esses dados para entender as circunstâncias que levaram à interrupção do voo.
Este incidente não é o primeiro que a InnoSpace enfrenta durante suas operações no Brasil. Em novembro de 2025, o foguete HANBIT-Nano, também da empresa sul-coreana, apresentou uma anomalia cerca de 30 segundos após a decolagem, resultando em sua destruição. Uma investigação posterior revelou uma falha estrutural durante a subida inicial. O veículo caiu dentro da zona de segurança e foi destruído, mas não provocou feridos. Após esse acidente, a InnoSpace implementou medidas para evitar falhas semelhantes, incluindo alterações no projeto do motor e reforços nos processos de montagem e controle de qualidade.
O novo teste com o Sebit teve um desfecho diferente, mas novamente terminou antes do planejado. Desta vez, o sistema de segurança da operação foi acionado após o desvio de trajetória ser identificado. Apesar da interrupção, a empresa considera que os dados obtidos durante os breves momentos de voo são valiosos para a investigação em andamento.
