Jornalista sob investigação no STF por críticas a Dino enfrentará julgamento por extorsão em dezembro
Jornalista Luís Pablo será julgado por extorsão a políticos e empresários no Maranhão.
BRASÍLIA, DF – O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após publicar textos críticos ao ministro Flávio Dino, enfrentará julgamento em dezembro na 2ª Vara Criminal do Maranhão. Ele é acusado de integrar uma rede de extorsão que visava políticos e empresários do estado.
As investigações da Operação Turing, iniciada em 2017, revelaram que o jornalista fazia parte de um grupo de blogueiros que recebia informações sigilosas de um policial federal. Esses dados eram utilizados para extorquir os alvos, com exigências financeiras variando de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil para evitar a divulgação das informações na internet.
De acordo com o Núcleo de Inteligência Policial do Maranhão, as vítimas da extorsão usavam as informações vazadas para escapar de investigações ou destruir provas. Na época, Flávio Dino ocupava o cargo de governador e exonerou o policial federal envolvido no caso.
Luís Pablo foi detido no dia da operação, mas liberado poucas horas depois. Ele declarou que as testemunhas ouvidas no processo negaram ter sido coagidas ou extorquidas por ele. Sua defesa argumenta que as interceptações telefônicas utilizadas como evidência são nulas.
A audiência de julgamento foi marcada para o dia 15 de dezembro, e o jornalista enfrenta acusações do Ministério Público que incluem participação em organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e obstrução de Justiça.
O caso gerou tensão no STF, especialmente após Luís Pablo publicar reportagens sobre Dino. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou buscas contra os informantes do jornalista, o que levantou questões sobre a proteção do sigilo da fonte e a exigência do diploma de jornalista, cuja obrigatoriedade foi dispensada pelo tribunal em 2009.
Moraes destacou que a segurança de Dino e de sua família estava em risco devido a uma “prática ostensiva de vários crimes” em investigação, incluindo perseguições. O ministro ressaltou que o sigilo da fonte não pode ser utilizado como proteção para atividades ilícitas.
O STF informou que as buscas visam investigar monitoramentos ilegais relacionados à segurança de Dino, especialmente após a divulgação de informações sobre veículos e agentes que o acompanhavam.
Em suas redes sociais, Dino lamentou a situação, afirmando que não é parte de suas obrigações aceitar ser alvo de crimes. Ele criticou a “indústria criminosa de fake news” e enfatizou que não há liberdade para mentir ou ameaçar.
A Polícia Federal elaborou um relatório que não confirma que Luís Pablo tenha recebido pagamentos para publicar matérias negativas sobre Dino. Em entrevista, o jornalista defendeu que não monitorou o ministro, alegando que a decisão de Moraes prejudica a liberdade de imprensa.
Na mesma semana, Moraes absolveu o blogueiro Antônio Marcelo Rodrigues da Silva, conhecido como Marcelo Minard, de crimes relacionados a desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, em um caso derivado da Operação Turing.
A análise das movimentações financeiras de Minard, inicialmente consideradas atípicas, levou a uma nova investigação sobre desvios de verbas da prefeitura de Paço do Lumiar, onde ele atuava como assessor de um deputado estadual.
O caso foi levado ao STF devido ao foro especial, uma vez que as irregularidades ocorreram durante o mandato do deputado. Minard, que se candidatou a deputado estadual nas eleições de 2026, não respondeu a tentativas de contato.
Moraes afirmou que não existem provas suficientes para confirmar a prática de “rachadinha” ou que o cargo de Minard na Câmara fosse fictício, enfatizando que a persecução penal não deve ser baseada em meras suspeitas.
Apesar da absolvição em relação a esses crimes, Minard também será julgado em dezembro no caso de extorsão, junto a Luís Pablo. O advogado de Minard não respondeu às solicitações de esclarecimento.
