Setor de fertilizantes solicita R$ 2 bilhões ao governo para mitigar efeitos da guerra no Irã

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Indústria de fertilizantes busca apoio do governo para mitigar impactos da alta de preços

A indústria de fertilizantes no Brasil está em conversações com o governo federal para a implementação de um programa de subvenção no valor de R$ 2 bilhões, com duração de três meses.

O objetivo dessa proposta é garantir que os agricultores possam adquirir adubos a preços acessíveis, evitando consequências prejudiciais tanto para o setor agrícola quanto para a economia do país.

Com o aumento global dos preços dos insumos, exacerbado pela guerra no Irã, a iniciativa é vista como crucial para que os agricultores brasileiros mantenham sua produtividade. O country manager da Mosaic no Brasil e Paraguai destacou a importância desse apoio governamental.

O foco do programa de subsídios é o enxofre, cuja comercialização tem enfrentado dificuldades, uma vez que cerca de 60% da produção mundial dessa matéria-prima, derivada do petróleo, passa pelo Estreito de Ormuz, onde o transporte está comprometido devido ao conflito.

“Estamos pleiteando junto ao governo uma espécie de subvenção, da mesma forma que o setor de petróleo foi contemplado”, afirmou o executivo.

O Brasil, como uma potência agrícola, é um dos maiores consumidores globais de fertilizantes, mas importa cerca de 90% de seu consumo. A Mosaic já anunciou medidas temporárias de redução de produção e hibernação de suas unidades de fertilizantes fosfatados em resposta às dificuldades de fornecimento de enxofre.

Estimativas indicam que o mercado nacional de fertilizantes deve cair de um recorde de aproximadamente 49 milhões de toneladas em 2025 para uma faixa entre 42 e 45 milhões de toneladas este ano. Essa redução pode impactar negativamente a produtividade na próxima safra de soja e milho, prevista para ser plantada a partir de setembro.

Além dos custos elevados dos produtos importados, a indústria de fertilizantes enfrenta desafios adicionais, como a diminuição do poder de compra dos agricultores, que lidam com margens de lucro reduzidas, restrições de crédito e taxas de juros elevadas.

A menor demanda dos produtores, em razão dos preços altos dos fertilizantes, resultou em uma queda de cerca de 10% nas importações até julho e uma retração de 50% em agosto. O setor conseguiu, até certo ponto, enfrentar os desafios gerados pela guerra, utilizando estoques adquiridos antes do conflito, mas o futuro permanece incerto.

Além da possível redução da produtividade agrícola, a falta de implementação da medida solicitada pode gerar um efeito em cadeia.

O executivo alertou que a não implementação da subvenção pode resultar em um custo econômico significativo, com uma potencial perda de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões para as contas públicas do Brasil. Para cada real investido na subvenção, a economia poderia perder entre R$ 10 a R$ 15 se nenhuma ação for tomada.

As discussões sobre o tema estão sendo realizadas em uma “sala de situação” com representantes dos ministérios da Agricultura, Minas e Energia, Casa Civil e Fazenda, embora ainda não haja uma decisão final.

Mesmo que a guerra no Irã termine, a normalização da oferta de fertilizantes pode levar até 12 meses, uma vez que fornecedores como China e Rússia estão restringindo a oferta devido à situação atual, com os russos enfrentando ainda ataques ucranianos às suas instalações.

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