Empreendedoras buscam agenda política que ultrapassa limites do CNPJ

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Empreendedoras brasileiras buscam maior representação política e propostas concretas.

Um grupo significativo de mulheres no Brasil, as empreendedoras, está se destacando na economia nacional, com quase 10 milhões de empresas ativas sob sua liderança. Essa realidade torna o empreendedorismo feminino uma agenda estratégica que precisa de mais atenção por parte da política.

O universo das empreendedoras é diverso, incluindo empresárias, artesãs, costureiras e agricultoras, muitas atuando sozinhas, sem funcionários, em contextos variados. A pesquisa “Empreendedoras e seus Negócios 2026” revela aspectos importantes sobre a relação desse grupo com a política, evidenciando que a maioria não se abstém de votar. Aproximadamente 56,4% delas não pretendem anular ou se ausentar das eleições.

Além disso, as empreendedoras têm critérios específicos na hora de escolher seus representantes. Para 76,8%, é fundamental que os candidatos apresentem propostas voltadas para causas prioritárias, como educação e saúde. No que diz respeito à informação política, 35% acompanham conteúdos políticos nas redes sociais, enquanto 16,3% buscam ativamente notícias sobre o tema. No entanto, 47,6% delas afirmam não se sentir representadas na esfera política como empreendedoras, indicando uma lacuna significativa na representação.

Para compreender essa lacuna, é essencial analisar a vida dessas mulheres além de seus negócios. Muitas são mães, e 42,4% delas são mães solo. Mais da metade assume o papel de principais provedoras de suas famílias, e 70% trabalham de forma autônoma, sem colaboradores. A conciliação entre trabalho, orçamento familiar e responsabilidades de cuidado é um desafio constante, com 80,7% já interrompendo suas atividades para cuidar de filhos ou familiares e 61,7% afirmando que essa sobrecarga afeta negativamente o desenvolvimento de seus negócios.

A realidade econômica dessas empreendedoras é marcada por dificuldades. Cerca de 54,7% começaram a empreender por necessidade, e 46,6% têm um faturamento mensal de até R$ 3.242. Nove em cada dez não conseguem gerar recursos suficientes para reinvestir ou poupar, o que reforça a percepção de que 92,3% acreditam que as mulheres enfrentam mais desafios do que os homens ao empreender.

Esses dados sobre o comportamento político das empreendedoras são cruciais para candidatos e formuladores de políticas públicas. O foco não deve ser em uma única “pauta das empreendedoras”, mas sim em entender que diferentes políticas se entrelaçam na vida de uma mulher. Políticas de crédito se conectam com políticas de cuidado, e o acesso à saúde se relaciona com a capacidade de trabalho, enquanto questões de transporte e segurança afetam o acesso a fornecedores e mercados.

Em 2026, milhões de empreendedoras estarão votando. A política já reconhece sua importância econômica, mas é vital que também as ouça como eleitoras. A mulher empreendedora deve ser vista como parte essencial do Brasil que desejamos, onde trabalhar, cuidar, empreender e participar da vida pública sejam escolhas que se complementam, e não se excluem.

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