Apenas 8% das empresas conseguem converter inteligência artificial em vantagem competitiva
Investimentos em inteligência artificial crescem, mas poucas empresas conseguem resultados estratégicos.
Os investimentos globais em infraestrutura de inteligência artificial (IA) estão projetados para alcançar a impressionante cifra de US$ 1,43 trilhão em 2026. Contudo, a realidade mostra que um número reduzido de empresas consegue converter esses aportes em resultados efetivos e estratégicos.
Um estudo recente revelou que, embora mais de 80% das organizações considerem a IA um pilar fundamental para os negócios, apenas 8% conseguem transformar essa tecnologia em uma vantagem competitiva sustentável. Além disso, apenas 5% das empresas reconhecem um retorno financeiro claro sobre os investimentos realizados em IA.
A pesquisa foi realizada com lideranças de empresas de 20 setores da economia e buscou entender as diferenças entre as organizações mais avançadas e as demais. Os especialistas apontam que o diferencial não reside apenas no acesso à tecnologia, mas na habilidade de integrar a IA à estratégia, aos processos e às pessoas da empresa.
Para os líderes do setor, o mercado já deixou para trás a fase de curiosidade em relação à IA. O foco agora está na geração de valor real. A próxima etapa da IA não será definida apenas por modelos mais sofisticados, mas por organizações que têm clareza sobre suas intenções e objetivos ao implementar essa tecnologia.
O estudo identificou cinco características comuns entre as empresas que se destacam como líderes em IA. A primeira delas é a importância de ter uma estratégia bem definida antes da adoção da tecnologia. Empresas maduras utilizam a IA como uma ferramenta para alcançar objetivos de negócios, partindo da revisão de processos e modelos de negócio para identificar onde a tecnologia pode gerar impacto.
A segunda característica é a priorização da capacitação das equipes. Aproximadamente 45% das empresas líderes em IA consideram a tecnologia uma prioridade crítica para o desenvolvimento de suas equipes, preparando-as para integrar a IA aos processos e minimizar dificuldades na adoção de novas ferramentas.
A participação ativa da alta liderança, especialmente do CEO, é a terceira característica. Nas empresas líderes em IA, o CEO desempenha um papel central na agenda de IA e envolve a alta administração na formulação da estratégia. O engajamento da alta gestão nessas organizações é cinco vezes maior do que a média do mercado.
A governança e a definição de métricas para acompanhamento de resultados representam a quarta característica. Mais de 60% das empresas líderes monitoram o valor econômico gerado pelas iniciativas de IA, permitindo comparações de resultados e orientando novas decisões de investimento.
Por fim, as empresas mais avançadas trabalham com três horizontes de transformação. Elas não se concentram apenas em projetos de retorno imediato, mas equilibram iniciativas de curto prazo com mudanças estruturais e investimentos em novos modelos de negócio. Essa abordagem é organizada em três frentes: H1, voltada para resultados imediatos; H2, relacionada à transformação de processos; e H3, direcionada à criação de novas oportunidades de crescimento.
O estudo conclui que a diferença entre experimentar a IA e transformá-la em vantagem competitiva está menos na tecnologia em si e mais na maneira como a organização estrutura sua estratégia, capacita suas equipes, estabelece governança e avalia resultados.
