Clubes de futebol se mobilizam contra proposta que proíbe anúncios de apostas
Clubes de futebol de São Paulo buscam alterar projeto que limita publicidade de casas de apostas
Clubes da capital paulista e a Federação Paulista de Futebol (FPF) estão em articulação para modificar um projeto que restringe a publicidade de casas de apostas em eventos esportivos na cidade de São Paulo.
A iniciativa ganhou força após a proposta avançar na Câmara Municipal, resultando em reuniões entre dirigentes e diálogos com autoridades locais.
A principal preocupação gira em torno do impacto que essa medida pode ter sobre contratos de patrocínio já estabelecidos.
Corinthians, Palmeiras e São Paulo, juntos, recebem aproximadamente R$ 350 milhões anuais apenas pelos patrocínios principais de suas camisas, sem contabilizar bônus, premiações e outras formas de exposição das marcas.
Estimativas sugerem que as perdas para o futebol paulista podem ultrapassar R$ 1 bilhão, dependendo do alcance das restrições e dos contratos afetados.
A pressão aumentou após o projeto receber parecer favorável sobre sua legalidade na Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa (CCJ).
Na última sexta-feira, representantes dos clubes e da FPF se reuniram para discutir a situação e acompanhar os desdobramentos da proposta, que também foi levada ao conhecimento do prefeito.
Um dos argumentos apresentados é que a proibição, se restrita à cidade de São Paulo, colocaria os clubes da capital em desvantagem financeira em relação a adversários de outros municípios e estados, que continuariam autorizados a receber recursos de casas de apostas.
O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, destacou que os contratos com empresas do setor se tornaram uma das principais fontes de receita das equipes e que uma eventual queda nas receitas afetaria diretamente a capacidade de investimento em campo.
“Uma regra restrita à capital paulista vai enfraquecer os clubes diante de concorrentes nacionais e internacionais e comprometer, de maneira direta, a capacidade de disputar títulos.”
A entidade também expressa preocupação de que a saída simultânea das casas de apostas aumente a oferta de espaços publicitários no mercado, diminuindo o poder de negociação dos clubes na busca por novos patrocinadores.
O crescimento desse mercado transformou a dimensão dos contratos de patrocínio no futebol.
No caso do Corinthians, por exemplo, o clube recebia R$ 17 milhões anuais de seu patrocinador principal em 2023. Atualmente, o contrato com uma casa de apostas prevê R$ 150 milhões fixos por ano, além de bônus por metas.
A mobilização gira em torno do projeto de lei 560/2025, apresentado pelo vereador João Jorge e que conta com outros parlamentares como coautores.
O texto propõe a proibição da publicidade direta ou indireta de empresas de apostas esportivas e jogos de azar online em eventos esportivos realizados no município de São Paulo.
A proposta abrange eventos públicos e privados, profissionais ou amadores, e menciona a exposição de marcas em placas, faixas e painéis instalados em espaços esportivos.
Na prática, as regras podem impactar estádios, propriedades comerciais negociadas pelos clubes e contratos de patrocínio.
O projeto prevê multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento, além de outras penalidades para reincidências, que podem incluir a proibição de realizar eventos esportivos na cidade por até dois anos. A justificativa da proposta menciona problemas como endividamento, conflitos familiares e impactos relacionados ao vício em apostas.
Enquanto o texto avança no Legislativo municipal, clubes e a FPF devem continuar mobilizados para tentar minimizar o impacto das restrições, especialmente sobre contratos que já estão em vigor.
