Brasil inaugura primeira fábrica mundial de pele de tilápia para tratamento de queimaduras e exportação de tecnologia médica inovadora
Brasil inaugura primeira fábrica mundial de pele de tilápia para curativos de queimaduras
O Brasil se destaca em pesquisas sobre o uso da pele de peixe como alternativa em tratamentos médicos. Em breve, o país contará com a primeira fábrica do mundo dedicada à produção em larga escala de pele de tilápia, especificamente para o tratamento de queimaduras. A unidade será construída em Jaguaribara, no Ceará.
O projeto, que se baseia em pesquisas da Universidade Federal do Ceará, contará com um investimento inicial de R$52 milhões. A nova fábrica terá capacidade para processar até 12 mil peles de tilápia por dia, com início das obras previsto para outubro de 2026 e operação programada para janeiro de 2028, após a instalação dos equipamentos e validação dos primeiros lotes.
A tecnologia desenvolvida transforma a pele do peixe, que geralmente seria descartada, em um curativo biológico. Após passar por etapas de preparação e esterilização, a pele de tilápia pode ser aplicada diretamente nas lesões, aderindo à superfície da ferida.
Esse material é indicado para queimaduras de segundo e terceiro graus e tem o potencial de reduzir um dos aspectos mais desconfortáveis do tratamento: a troca frequente de curativos. Em casos mais graves, a substituição pode causar dor e exigir o uso de analgésicos, além de procedimentos médicos adicionais.
Os dados do projeto indicam que a nova tecnologia pode resultar em uma redução de até 52% nos custos totais do tratamento em comparação com métodos tradicionais. A expectativa é também diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de levar pacientes ao centro cirúrgico para a troca de curativos.
A produção em larga escala visa aumentar o acesso ao material, atendendo parte da demanda do Sistema Único de Saúde. Atualmente, a produção é limitada, com o laboratório da UFC processando cerca de 600 peles por mês. A nova unidade começará com 4,3 mil peles processadas diariamente no primeiro ano, com a meta de chegar a 12 mil por dia.
O uso da pele de peixe no tratamento de queimaduras ganhou notoriedade internacional, sendo mencionado em séries como Grey’s Anatomy, onde a pele de tilápia foi apresentada como uma inovação no tratamento de queimaduras. Isso demonstra a relevância e o interesse global na tecnologia desenvolvida no Brasil.
A pesquisa que resultou na transformação da pele de tilápia em curativo biológico foi liderada por cientistas da Universidade Federal do Ceará. O trabalho incluiu não apenas testes clínicos em humanos, mas também o desenvolvimento de um protocolo para a preparação e esterilização do material, permitindo seu uso seguro em pacientes.
Embora outros países tenham realizado experimentos com pele de peixe, o Brasil se destacou por ser pioneiro em testes clínicos em humanos e por patentear a técnica. Agora, anos após os primeiros avanços, a pesquisa se concretiza com a construção de uma fábrica que processará milhares de peles diariamente.
A nova fábrica também enfrentará o desafio da conservação e transporte do material. A pele processada passará por liofilização, uma técnica que remove a água do material, permitindo sua conservação por até três anos em temperatura ambiente. Isso facilitará a distribuição, especialmente para regiões remotas, eliminando a necessidade de refrigeração.
Jaguaribara foi escolhida estrategicamente para a instalação da fábrica, pois está próxima ao Açude Castanhão, uma das principais áreas de produção de tilápia do Ceará. Essa localização facilitará o acesso à matéria-prima, transformando um resíduo da indústria pesqueira em um produto de alto valor agregado voltado à saúde. A unidade deverá gerar cerca de 200 empregos diretos, com capacitação técnica oferecida pela UFC e instituições parceiras, ampliando assim a aplicação da tecnologia desenvolvida nos laboratórios universitários.
