Zuckerberg propõe novas regras para TikTok e YouTube em relação a adolescentes, seguindo diretrizes da Meta
Meta propõe restrições de uso para TikTok e YouTube visando a proteção de adolescentes.
A Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram e Facebook, está pressionando TikTok e YouTube a implementarem restrições semelhantes às que ela aceitou adotar após um acordo judicial nos Estados Unidos. Essa ação visa aumentar a segurança de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Recentemente, a Meta anunciou um acordo que inclui um pagamento de até US$ 17,1 bilhões (cerca de R$ 92,9 bilhões) a 47 estados americanos, além do Distrito de Columbia e alguns territórios, para encerrar um processo que a acusava de incentivar a dependência de menores em suas plataformas.
Como parte do acordo, a Meta se comprometeu a modificar a experiência de uso de seus aplicativos para crianças e adolescentes. As medidas incluem a implementação de limites diários de tempo, o fortalecimento dos controles parentais e a interrupção do acesso durante o horário escolar.
Além disso, a Meta deverá suspender o envio de notificações push para usuários jovens durante as aulas e aprimorar os mecanismos de verificação de idade. Essas mudanças podem impactar a interação dos adolescentes com os aplicativos da empresa, levando-a a buscar que seus concorrentes adotem restrições semelhantes.
- A Meta estabeleceu um mecanismo financeiro para incentivar YouTube e TikTok a seguirem as mesmas regras;
- O valor-base do acordo é de US$ 12 bilhões (R$ 61,9 bilhões), com um limite inicial de uso de duas horas diárias para crianças;
- Se YouTube e TikTok impuserem um limite de uma hora por dia, a Meta reduzirá seu próprio limite para esse mesmo tempo;
- O acordo prevê que, se as duas plataformas pagarem juntas US$ 5 bilhões (R$ 25,8 bilhões) aos estados, a Meta assumirá os cerca de US$ 5 bilhões restantes que prometeu;
- Não está claro como garantir que YouTube e TikTok aceitem participar desse arranjo.
Até o momento, TikTok e YouTube não se comprometeram publicamente com a proposta. O YouTube optou por não comentar, enquanto representantes do TikTok não responderam aos pedidos para se manifestar.
Após o anúncio do acordo, a Meta divulgou uma carta aberta aos concorrentes, solicitando que adotem restrições semelhantes às que ela implementará. A empresa afirma que pretende estabelecer um “novo padrão da indústria” para a segurança infantil online.
A Meta acredita que as proteções só serão eficazes se forem amplamente adotadas. Caso apenas Instagram e Facebook implementem limites, é provável que adolescentes migrem para plataformas com menos restrições.
A pressão sobre as grandes empresas de tecnologia para que adotem medidas de proteção a crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos. A Meta enfrentou processos de mais de trinta estados, acusando-a de usar recursos de suas plataformas para viciar os jovens, mesmo alegando que suas redes sociais eram seguras.
Recentemente, a Meta e o YouTube perderam um julgamento relacionado a danos pessoais, resultando em uma indenização de US$ 6 milhões (R$ 30,97 milhões). Além disso, um juiz do Novo México determinou que a Meta pagasse quase US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) por violações a leis de proteção ao consumidor.
Embora o acordo de US$ 17,1 bilhões pareça significativo, seu impacto financeiro pode ser limitado, considerando a capitalização de mercado da Meta, que gira em torno de US$ 1,45 trilhão (aproximadamente R$ 7,9 trilhões), e os lucros recentes de US$ 15,85 bilhões (cerca de R$ 86,3 bilhões).
Especialistas, como a psicóloga clínica Lisa Strohman, argumentam que o valor do acordo não reflete uma punição proporcional ao tamanho da Meta, representando apenas 8,5% da receita anual da empresa. As mudanças nos aplicativos, no entanto, podem impactar significativamente o engajamento dos usuários mais jovens.
A estratégia da Meta para convencer concorrentes a adotar as mesmas regras também é alvo de críticas. Sacha Haworth, do Tech Oversight Project, considera essa abordagem uma tentativa de melhorar a imagem pública da