Derretimento acelerado do permafrost no Himalaia pode desencadear novas tragédias após desastre no Nepal

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Desastre no Nepal levanta preocupações sobre o derretimento do permafrost e suas consequências.

Em 26 de agosto, o vale de Rasuwa, no Nepal, foi atingido por uma devastadora enxurrada, surpreendendo a população local, pois não havia ocorrido chuva. A catástrofe resultou em milhares de desaparecidos, centenas de mortos e muitas infraestruturas destruídas. A magnitude da tragédia levou a diversas especulações sobre suas causas, mas as informações que surgiram até agora não trazem alívio.

Enquanto equipes de resgate trabalham incansavelmente para encontrar sobreviventes, uma inquietante pergunta permeia a região: “e se isso for apenas o começo?”.

Pesquisas indicam que uma avalanche de gelo e rocha, originada de uma geleira em grande altitude sobre o Lhende Khola, pode ter sido a causa inicial da enchente. A queda, que ocorreu de uma altura superior a um quilômetro, gerou um tremor significativo e desencadeou a cheia do rio.

De acordo com especialistas, os detritos resultantes da avalanche desceram a montanha e bloquearam um trecho do rio a cerca de 20 quilômetros da ponte Miteri. Esse bloqueio formou um lago temporário que, em seguida, rompeu, causando destruição em larga escala. A análise sugere que a presença de detritos, e não apenas água, foi crucial para a gravidade dos danos.

55 mortos, 74 desaparecidos e mais de 7.000 deslocados

A barragem de Teesta III, que gerava 1.200 MW, foi completamente destruída. Após um ano de investigações, foi identificado que a causa do colapso foi um acúmulo de sedimentos e detritos congelados que, ao descongelar, provocaram o rompimento da estrutura.

Essa situação levanta preocupações entre os especialistas, especialmente porque a região do Himalaia abriga vastas áreas de solo congelado, que não estão sendo monitoradas adequadamente. Estudos mostram que o permafrost na área ocupa cerca de 1.003.000 quilômetros quadrados, em comparação com os 60.000 a 80.000 dos glaciares.

O problema é que o permafrost, ao contrário dos glaciares, não é facilmente detectável, o que faz com que suas mudanças e possíveis riscos sejam frequentemente negligenciados.

Entretanto, há dados disponíveis, provenientes da única rede de monitoramento existente na região, instalada pela China para proteger a infraestrutura de transporte entre Qinghai e o Tibete. As medições indicam que a temperatura do solo está aumentando entre 0,02 e 0,78 °C por década a dez metros de profundidade, evidenciando que o derretimento está em curso. Essa degradação do permafrost pode resultar em instabilidades inesperadas e sem precedentes.

A elevação da temperatura na montanha transforma a região em uma potencial bomba-relógio, como demonstrado pela recente tragédia no Nepal. Relatórios indicam que o derretimento na área está se acelerando, com previsões de que, até 2100, um terço da massa de gelo possa ser perdido no melhor cenário, e até 80% no pior.

Até o momento, a maior preocupação era a segurança hídrica de 1,9 bilhão de pessoas que dependem da água proveniente da região. Contudo, agora se sabe que o Himalaia pode trazer desafios ainda mais graves.

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