EUA anunciam plano para pecuaristas priorizando carne americana após ampliação de cota de importação
Medidas do governo visam aumentar a importação de carne moída e reduzir o preço dos hambúrgueres nos EUA.
Os Estados Unidos revelaram um novo pacote de iniciativas destinado a apoiar os pecuaristas e reverter a diminuição do rebanho bovino, que atingiu o menor nível em 75 anos.
A estratégia abrange a concessão de créditos para pequenos frigoríficos, a ampliação de áreas disponíveis para pastagem e ações que visam aumentar a participação da carne americana nas compras governamentais.
Denominado Ranchers First Initiative, o pacote foi apresentado pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. Essa iniciativa surge em um contexto de aumento dos preços da carne bovina e de pressão do governo para tornar os alimentos mais acessíveis aos consumidores.
Menos gado, carne mais cara
O rebanho bovino dos EUA diminuiu nos últimos anos, em grande parte devido a secas severas e à redução das áreas disponíveis para criação.
Com a diminuição do número de animais para abate, a oferta de carne caiu, resultando em um aumento nos preços. O governo americano busca agora incentivar os pecuaristas a expandir seus rebanhos.
Uma das ações propostas é facilitar o acesso a créditos para pequenos frigoríficos, com o objetivo de aumentar a capacidade de processamento e combater a concentração do setor.
Governo quer dar preferência à carne americana
O pacote também inclui medidas para promover o uso de carne produzida nos Estados Unidos em instituições públicas, como escolas, hospitais e presídios.
Essa abordagem faz parte do esforço do governo para fortalecer os produtores locais e aumentar a demanda pela produção interna.
Além disso, o governo pretende facilitar o acesso dos pecuaristas a áreas de conservação que foram afetadas por desastres naturais e incêndios, permitindo o uso dessas áreas para pastagem.
Medidas acontecem enquanto Trump amplia importações
Recentemente, o governo anunciou iniciativas para facilitar a entrada de carne bovina estrangeira no mercado americano.
A lógica por trás dessa decisão é aumentar a oferta no curto prazo para ajudar a controlar os preços. Contudo, essa maior concorrência com carne importada pode impactar negativamente a remuneração dos pecuaristas americanos, em um momento em que o governo busca convencê-los a ampliar seus rebanhos.
Brasil está no meio dessa disputa
O Brasil se destaca como um dos principais fornecedores de carne bovina para os Estados Unidos, o que torna as mudanças na política americana de grande relevância para os exportadores brasileiros.
Por um lado, a demanda do mercado americano favorece a importação de carne estrangeira. Por outro, o plano de recuperação do rebanho indica que o governo Trump deseja aumentar a produção interna e reduzir a dependência de importações no futuro.
Além disso, o governo americano tem pressionado grandes frigoríficos e promovido uma maior concorrência no processamento de carne. Entre as principais empresas atuantes no mercado americano estão as brasileiras JBS e MBRF.
O desafio de Trump
O governo enfrenta a tarefa de lidar com dois desafios distintos: a redução dos preços da carne para os consumidores a curto prazo e o aumento da produção interna nos próximos anos.
Para baixar os preços imediatamente, a estratégia é ampliar a oferta de carne no mercado, incluindo a importação.
Por outro lado, o incremento da produção americana requer medidas de longo prazo, como incentivar os pecuaristas a aumentar seus rebanhos e expandir a capacidade de processamento de carne nos Estados Unidos.
O pacote anunciado recentemente se insere nessa segunda abordagem, visando aumentar a produção de carne no país.
