Relatório da PF menciona Moraes, mas não é conclusivo e investigações sobre celulares continuam

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Relatório da Polícia Federal revela detalhes sobre investigações envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Um recente relatório da Polícia Federal trouxe à tona mensagens e registros que envolvem Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento, que contém 218 páginas, foi entregue ao ministro André Mendonça em 27 de agosto e não encerra a análise do material apreendido com Vorcaro.

A corporação enfatiza que o relatório, elaborado em um curto período de 72 horas, “não possui caráter exaustivo”. A análise foi feita com base em um celular de Vorcaro, apreendido durante sua prisão na operação Compliance Zero.

O jornalista Paulo Figueiredo destacou as limitações do relatório em uma publicação recente, sugerindo que novos elementos podem surgir à medida que as investigações se aprofundem. Ele mencionou que há boas razões para crer que mais informações relevantes estão por vir.

A Polícia Federal confirmou que, dentro do prazo estipulado, foram transcritas apenas as “menções nominais diretamente identificadas”. O relatório também admite a possibilidade de que existam outras referências ainda não detectadas pela equipe.

Além disso, a PF observa que a análise pode ser alterada conforme as investigações avançam e que novos relatórios podem ser gerados caso dados inicialmente considerados irrelevantes adquiram importância posteriormente.

O celular analisado não é o único dispositivo de Vorcaro apreendido. Em março, ao decidir pela manutenção da prisão do banqueiro, Mendonça destacou que havia outros oito aparelhos a serem examinados, incluindo cinco celulares da segunda fase da operação e três da terceira fase.

Embora o relatório de agosto não informe quantos desses aparelhos já foram completamente periciados, a PF revelou que duas investigações relacionadas ao material estão em “estágio avançado”, dependendo da conclusão de análises bancárias e do exame de outros materiais apreendidos. As oitivas já começaram e devem ser concluídas em até 60 dias.

Figueiredo, atualmente residente nos Estados Unidos e considerado foragido pela Justiça brasileira, chamou a atenção para as limitações na recuperação das conversas atribuídas a Moraes. O relatório indica que o contato salvo no celular de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA” ativou mensagens temporárias que se autodestruíam após 24 horas.

Em novembro, Vorcaro enviou cinco mensagens utilizando o recurso de visualização única. Embora a perícia tenha conseguido recuperar esses arquivos, parte dos diálogos não foi integralmente reconstruída.

A PF identificou um total de 52 notas que seguem um padrão específico: Vorcaro escrevia textos no aplicativo Notas, tirava uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp. Foram encontradas cinco notas no chat atribuído a Moraes e outras 47 seguindo o mesmo padrão em seu aparelho.

O relatório também inclui mensagens digitadas diretamente em conversas, registros de chamadas e interações de Vorcaro com outros interlocutores, não se limitando apenas a esse tipo de comunicação.

Outro ponto relevante destacado por Figueiredo, que é confirmado pela PF, é que, devido a regras específicas aplicáveis à magistratura e ao Ministério Público, a corporação não aprofundou as investigações envolvendo magistrados ou integrantes do MP. Os dados apresentados foram aqueles que já estavam disponíveis no acervo da operação Compliance Zero.

Essa ressalva se aplica a Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas não se estende automaticamente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O relatório inclui uma nota de Vorcaro mencionando a importância de “reforçar com Andrei e Paulo”, possivelmente referindo-se a Rodrigues e Gonet.

Embora o material divulgado contenha pedidos e referências feitas por Vorcaro, não permite concluir que as autoridades mencionadas tenham atendido a essas solicitações ou cometido irregularidades.

Mendonça retirou o sigilo da Petição 16.662 e afirmou que os novos elementos apresentados pela PF serão analisados pelo plenário do STF. Figueiredo, que possui um histórico de embates com Moraes, recentemente solicitou sanções individuais contra ministros do STF, incluindo Moraes, ao governo dos Estados Unidos.

A reportagem procurou o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. A

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