Frente Parlamentar busca solução para impasse no Tapajós até 2027, afirma senador
Senador Zequinha Marinho alerta sobre insegurança jurídica em torno da dragagem do Rio Tapajós.
O senador Zequinha Marinho, representante do Pará, expressou preocupações sobre a insegurança jurídica gerada pela disputa em torno da dragagem do Rio Tapajós. Ele afirmou que a questão será discutida em 2027 por meio da Frenlogi, uma frente parlamentar dedicada à logística e infraestrutura.
A dragagem é considerada essencial para garantir a navegabilidade na região, mas foi vetada pelo presidente, mesmo diante de pressão significativa de setores como transporte, logística e agronegócio. Esse veto gerou um impasse que, segundo Marinho, não será resolvido em 2026.
O senador, que busca a reeleição, destacou que a discussão será retomada com o novo governo, buscando avançar na pauta de dragagem. Ele enfatizou a necessidade de resolver essa situação, que afeta diretamente as operações logísticas na região.
A dragagem do Tapajós se tornou um ponto de tensão entre o governo, o setor produtivo e as comunidades indígenas locais. O procedimento envolve a remoção de sedimentos do leito do rio, o que é necessário para manter as condições de navegação. No entanto, a resistência das comunidades, que exigem licenciamento ambiental e consultas prévias, levou ao veto do presidente.
Após a pressão de líderes indígenas, o presidente decidiu vetar a dragagem, desconsiderando as recomendações de diversos ministérios e órgãos envolvidos no processo. Desde então, o tema não avançou no governo, sem previsão para ser reavaliado.
Empresas que operam na região alertam que a falta de dragagem comprometerá a navegabilidade, especialmente com a chegada da seca provocada pelo fenômeno El Niño. Estima-se que as atividades no rio possam ser interrompidas por até quatro meses, resultando em perdas significativas para o transporte de grãos, com prejuízos estimados em R$ 850 milhões.
Marinho ressaltou que a diminuição do nível das águas impactará a capacidade de transporte, encarecendo o escoamento da produção. Ele também criticou a influência de ONGs, que, segundo ele, dificultam a implementação de infraestruturas necessárias para o comércio e transporte.
Além do Tapajós, outros rios, como o Madeira e o Tocantins, também necessitam de dragagem. Embora esses rios tenham sido inicialmente incluídos em um programa de desestatização, a decisão foi revertida após protestos de comunidades locais.
Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para retomar a concessão de hidrovias nos três rios em 2027, com planos para realizar consultas e audiências públicas no primeiro semestre do próximo ano.
