Crescimento do aluguel de filhos terceirizados entre idosos na China
O crescimento da profissão de “filhos terceirizados” na China reflete a solidão dos idosos.
Com o envelhecimento da população chinesa, um novo tipo de profissional tem se destacado: os “filhos terceirizados”. Esses adultos oferecem companhia e assistência a idosos que vivem sozinhos, em troca de uma remuneração que varia entre algumas centenas de yuans. Essa prática, que se populariza principalmente nas redes sociais, levanta questões sobre a qualidade e a regulamentação dos serviços prestados.
Os “filhos terceirizados” são, em sua maioria, jovens entre 20 e 30 anos. Eles se disponibilizam para realizar atividades como acompanhar os idosos em compras, visitas ao hospital e auxiliar em tarefas cotidianas, como o uso de tecnologia. No entanto, a principal função desse serviço é combater a solidão que muitos idosos enfrentam.
Embora não existam dados precisos sobre a quantidade de profissionais atuando nesse setor, a crescente demanda é evidente. O fenômeno está em expansão, com a mídia local e internacional dedicando atenção ao tema. Relatos indicam que a prática se tornou um “mercado em expansão”, impulsionado pela necessidade de companhia para os mais velhos.
Um novo modelo de negócio
Os serviços de “filhos de aluguel” são divulgados nas redes sociais e também por meio de recomendações pessoais. Além de trabalhadores autônomos, empresas têm surgido para atender a essa demanda crescente, reconhecendo a solidão como uma oportunidade de negócio.
Um exemplo notável é um grupo de cuidadores que começou em Dalian e rapidamente cresceu, expandindo suas operações para outras regiões do país. Apesar de os preços não serem acessíveis para todos, com tarifas que podem variar entre R$ 171 e R$ 520 por sessões de três horas, a procura por esses serviços continua a aumentar.
Peng Lei, fundador do grupo em Dalian, observa que a maioria dos clientes que os contatam são, na verdade, os filhos dos idosos. Muitas vezes, esses filhos se mudaram para longe e buscam alternativas para garantir que seus pais tenham o cuidado e a companhia necessários.
A política do filho único, que vigorou de 1979 a 2015, ainda impacta a dinâmica familiar, resultando em adultos que, sem irmãos, enfrentam o desafio de equilibrar suas responsabilidades familiares com o cuidado dos pais idosos. Essa situação é complexificada pela crescente resistência dos idosos em se mudar para instituições de longa permanência.
Desafios da solidão
A realidade da solidão entre os idosos é alarmante. Na China, a maioria dos idosos prefere permanecer em suas casas, o que gera um aumento na demanda por serviços de assistência. Com a previsão de que, até 2040, mais de 400 milhões de pessoas terão mais de 60 anos, o país enfrenta uma crise demográfica significativa.
Os desafios são multifacetados, abrangendo questões econômicas, sociais e de assistência. Especialistas alertam sobre a possibilidade de um déficit crítico de profissionais de saúde qualificados para atender a essa população crescente.
A discussão sobre os “filhos de aluguel” tem gerado debates sobre a qualidade dos serviços e a falta de regulamentação. Embora esses profissionais ajudem a mitigar a solidão, a ausência de formação adequada e de um quadro regulatório claro levanta preocupações sobre a segurança e o bem-estar dos idosos.
O setor já está se adaptando a essas preocupações, com alguns cuidadores optando por gravar suas interações com os idosos, visando garantir transparência e segurança. Essa nova dinâmica está moldando a profissão e criando perfis profissionais inovadores no cuidado de idosos.
