Rodrigo Lopes comemora 30 anos de carreira entre o medo e a adrenalina
Jornalista Rodrigo Lopes reflete sobre sua carreira de três décadas em coberturas internacionais.
Com uma trajetória marcada pelo equilíbrio entre o medo e a adrenalina, Rodrigo Lopes se destaca em coberturas de guerras, tragédias e desastres climáticos. Ele começou sua carreira em 1996, no Grupo RBS, onde, após iniciar sua graduação em Jornalismo, passou por diversas áreas da redação. Hoje, após 30 anos de experiência, acumula histórias que refletem sua paixão pelo ofício.
Em uma entrevista, Rodrigo compartilhou relatos sobre sua carreira, desafios e aprendizados. Embora tenha se graduado em 2001 e valorize a importância do diploma, ele acredita que sua verdadeira formação começou no momento em que entrou na redação. Para ele, a dedicação ao Jornalismo é uma expressão de admiração e compromisso com questões sociais, como desigualdade e violação dos direitos humanos.
Rodrigo acredita que, se algum dia perder essa motivação, deverá deixar a profissão. Ele ainda vê no Jornalismo a possibilidade de provocar mudanças no mundo, ou pelo menos, agitar a realidade ao seu redor.
A editoria ‘Mundo’ pode parecer distante para o público, mas Rodrigo considera essencial mostrar que o sofrimento de pessoas em lugares como a Líbia e a Ucrânia é semelhante ao de quem lê suas reportagens. Seu objetivo é aproximar esses mundos e despertar empatia no leitor.
Em sua carreira, ele viveu mais de 40 coberturas internacionais, sendo difícil escolher um momento marcante. O terremoto no Haiti, em 2010, foi um dos eventos que mais o impactou emocionalmente. As dificuldades enfrentadas, como a incerteza sobre abrigo e suprimentos, deixaram uma marca profunda.
Do ponto de vista profissional, sua primeira cobertura de guerra, durante o conflito entre Israel e Líbano em 2006, foi significativa. Rodrigo foi o único jornalista brasileiro a atuar em ambos os lados do front, produzindo reportagens que foram finalistas do ‘Prêmio Esso’.
A cobertura de guerras exige um equilíbrio entre medo e adrenalina. Rodrigo explica que, enquanto o medo pode paralisar, a falta de controle sobre a adrenalina pode ser perigosa. Ele segue regras rigorosas para evitar locais sem planejamento, mas reconhece que imprevistos são inevitáveis, destacando a importância da resiliência.
Uma experiência marcante ocorreu na Ucrânia, onde ele enfrentou a escuridão do trem para não ser visto por mísseis e teve que passar a noite sozinho na estação. Apesar da tensão, conseguiu fazer uma transmissão ao vivo, ressaltando que, enquanto os jornalistas podem sair, a população local enfrenta as maiores dificuldades.
Em 2019, Rodrigo foi preso na Venezuela, onde ficou isolado por duas horas. Após a avaliação de suas publicações, foi liberado, mas a experiência o marcou. Em janeiro, retornou ao país e, embora tenha enfrentado desafios, expressou o desejo de voltar e se afirmar como jornalista.
Rodrigo também se adaptou a diferentes formatos de conteúdo ao longo da carreira. Sua primeira experiência em multimídia ocorreu em 2003, durante as eleições argentinas, quando produziu material para impresso e rádio. Desde então, ele tem se concentrado em vídeos curtos, mantendo a essência do Jornalismo, que deve ser fundamentado em métodos rigorosos de apuração.
Com vasta experiência, Rodrigo oferece conselhos para novos jornalistas, enfatizando a importância de dominar diferentes plataformas, aprender idiomas e aproveitar oportunidades de viagem. Ele acredita que enfrentar o medo é essencial, pois a preparação nunca é completa.
Sobre o futuro, Rodrigo expressou o desejo de ter filhos e de continuar no Grupo RBS, focando em Jornalismo Internacional. Ele também planeja desenvolver projetos próprios, como livros e documentários, e compartilhar sua experiência por meio de cursos autorais.
