Perdas invisíveis nas empresas e o papel da cibersegurança na proteção de margem e receita

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A cibersegurança como chave para a proteção de valor nas empresas.

Toda empresa é capaz de identificar perdas visíveis, mas o verdadeiro desafio reside nas perdas que não são facilmente quantificáveis. Questões como ruptura de estoque, avarias e inadimplência são apenas alguns exemplos de como o valor pode ser perdido ao longo da cadeia de suprimentos. Muitas vezes, essas perdas estão associadas a sistemas digitais, credenciais e sensores, tornando a cibersegurança um fator crucial a ser considerado.

A cibersegurança, tanto em tecnologia da informação (TI) quanto em tecnologia operacional (OT), representa uma oportunidade significativa para proteger as margens de lucro das indústrias. A tecnologia necessária para garantir essa proteção já está disponível e é acessível. No entanto, é essencial que as empresas vejam a cibersegurança como um ativo valioso, em vez de um mero custo técnico.

O impacto das perdas invisíveis

As perdas associadas a componentes digitais e operacionais no Brasil são alarmantes. No setor de energia elétrica, por exemplo, irregularidades e conexões clandestinas resultaram em perdas não técnicas que custaram R$ 11,5 bilhões em 2025. Isso representa 7,1% de toda a energia distribuída.

No saneamento, cerca de 39,5% da água produzida é perdida durante a distribuição, devido a vazamentos e falhas de medição. Além disso, o roubo de carga gerou um prejuízo estimado de R$ 900 milhões em 2025, e as perdas relacionadas à pirataria e falsificação ultrapassaram R$ 514 bilhões, refletindo um crescimento significativo em relação ao ano anterior.

Esses dados não devem ser vistos apenas como problemas de TI, mas como perdas que afetam a continuidade e a confiança nos negócios. A vulnerabilidade digital frequentemente serve como porta de entrada para essas perdas financeiras.

A interseção entre TI e OT

Um dos maiores desafios que as empresas enfrentam é a separação entre os ambientes de TI e OT. As perdas modernas não respeitam essa divisão, e a falta de comunicação entre esses setores pode resultar em grandes prejuízos. Por exemplo, o comprometimento de uma credencial pode levar ao roubo de carga, enquanto as manipulações em medidores podem afetar diretamente as receitas de energia ou água.

Quando as equipes de segurança de TI e OT operam de forma isolada, as oportunidades de detectar perdas financeiras ocultas são perdidas. A integração entre esses dois mundos é essencial para identificar e mitigar riscos.

Transformando a segurança em uma disciplina de proteção de valor

Os centros de operações de segurança (SOC) frequentemente se concentram apenas em identificar ataques cibernéticos, mas é necessário expandir essa visão. A pergunta que deve ser feita é: onde estão as perdas de valor e quais canais estão contribuindo para isso?

A transformação do SOC em um centro de fusão que correlaciona dados de segurança com informações operacionais pode ajudar a identificar padrões e desvios que não são visíveis em sistemas isolados. Essa abordagem permite detectar atividades suspeitas, como pedidos fracionados ou contas comprometidas.

É crucial reposicionar a cibersegurança como uma disciplina que protege o valor, envolvendo todos os departamentos relevantes na análise e na tomada de decisões. A falta de uma visão holística e a fragmentação das responsabilidades são barreiras que precisam ser superadas para capturar plenamente o valor que a cibersegurança pode oferecer.

A boa notícia é que essa mudança não requer tecnologias inatingíveis, mas sim uma nova perspectiva que reconheça a cibersegurança como uma ferramenta essencial para evitar perdas operacionais e financeiras. A indústria enfrenta bilhões em perdas silenciosas anualmente, e a cibersegurança pode ser a solução para estancar esses vazamentos.

Proteger as margens e a continuidade dos negócios tornou-se uma decisão estratégica vital, e a liderança deve considerar a cibersegurança como uma das suas prioridades para garantir a saúde financeira e a sustentabilidade das operações.

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