Restos de carne e ossos descartados são transformados em ração para animais no Espírito Santo
Restos de carne se transformam em alimentos para animais em fazendas no ES
O que muitos consideram apenas lixo é, na verdade, uma fonte valiosa para a indústria de reciclagem animal. No Espírito Santo, toneladas de resíduos de carne, gordura e ossos são convertidas em ingredientes essenciais para a fabricação de rações agrícolas.
Esse processo de reaproveitamento conecta uma indústria de processamento em Fundão, na Região Metropolitana de Vitória, com granjas em Santa Maria de Jetibá, na Região Serrana do estado.
Na granja da avicultora Jerusa Sthur, cerca de 100 mil galinhas produzem aproximadamente 2,7 milhões de ovos mensalmente, que são vendidos diretamente para estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Para assegurar a qualidade dos ovos, as galinhas recebem alimentação que é reposta até oito vezes ao dia, garantindo que a ração esteja sempre disponível.
“Eu comparo com a gente, né? Se a gente tiver uma boa alimentação, a gente tem uma boa saúde. A galinha é a mesma coisa. Se ela tiver uma ração de qualidade, ela vai dar os frutos que precisa dar”, explicou Jerusa.
Para manter uma ração de qualidade, o processo se inicia em Fundão, onde uma indústria processa cerca de 350 toneladas diárias de subprodutos animais. Esses resíduos, que não são aproveitados na alimentação humana, são transformados em matéria-prima.
Diariamente, veículos da fábrica realizam a coleta de materiais em frigoríficos e abatedouros de todos os 78 municípios do Espírito Santo. O material recolhido inclui pele, ossos, vísceras e gorduras.
O processo de transformação é rigoroso e envolve etapas como triagem, trituração, cozimento e separação, onde os sólidos são convertidos em farinha e as gorduras são filtradas e armazenadas.
Nutrição biodisponível
A farinha produzida a partir desses subprodutos é vital para garantir a qualidade da ração. O gerente de qualidade, Israel Leandro da Silva, destaca que esse ingrediente é mais biodisponível para os animais, pois é oriundo do próprio organismo deles, fornecendo proteínas e aminoácidos essenciais.
A gordura extraída também é crucial, pois atua como palatabilizante, tornando a ração mais saborosa e atraente para os animais. O excedente dessa gordura é utilizado em indústrias químicas para a produção de biodiesel, sabão e cosméticos.
Controle de qualidade rigoroso em laboratório
Antes de serem distribuídos, os produtos passam por rigorosos testes em um laboratório interno para garantir a segurança alimentar. Amostras das farinhas são analisadas por equipamentos de alta tecnologia, enquanto a acidez do sebo e do óleo de vísceras é avaliada por testes químicos.
A analista Isabella Xavier ressalta a importância dessas análises para manter a qualidade dos produtos oferecidos.
Uma receita de ração para cada fase da vida
Após todas as etapas de controle, a farinha e a gordura são enviadas para fábricas de ração. Na granja de Santa Maria de Jetibá, esses ingredientes são misturados com milho, soja e calcário, essenciais para a nutrição das galinhas.
A formulação da ração varia conforme a fase de desenvolvimento das aves, desde o nascimento até a fase adulta de postura, garantindo que a alimentação atenda às necessidades específicas de cada etapa.
“No início, a gente precisa fazer com que o pintinho se desenvolva. Ele precisa ganhar carcaça, massa muscular, e à medida que vai passando as fases, a gente vai alterando os produtos. Quanto mais qualidade, maior o rendimento na produção”, destacou Ereneu Schiliwer.
Ao final, o que começou como descarte na cadeia de carne é transformado em alimento de alta qualidade, fechando um ciclo produtivo no Espírito Santo.