Raça de vacas Rubia Gallega enfrenta risco de extinção por problemas na qualidade do sêmen
População de gado Rubia Gallega enfrenta drástica redução, apesar da crescente demanda internacional.
Atualmente, existem cerca de 31 mil cabeças de gado da raça Rubia Gallega registradas, um número alarmante que representa quase metade do que se contava há uma década. Em 2013, o total era próximo a 66 mil, evidenciando uma queda significativa na população dessa raça emblemática da Galícia.
Essa situação paradoxal reflete uma tendência preocupante: quanto maior a demanda no exterior, menos animais permanecem na Espanha. O presidente da Associação de Criadores de Gado Rubia Gallega observa que a busca por exemplares de excelência se tornou um verdadeiro desafio, onde encontrar uma vaca de raça pura se tornou uma questão de sorte.
Características da Rubia Gallega
Para que um animal seja considerado uma Rubia “autêntica”, é crucial que possua pelagem loira, castanha ou cor de canela, com pele e mucosas sem pigmentação. Além disso, sua anatomia deve incluir chifres em posição característica, dorso reto, garupa convexa e um úbere bem formado. A funcionalidade é um aspecto fundamental, com destaque para a capacidade de amamentar sem assistência e a facilidade no parto.
Os agricultores relatam que até 90% dos partos em animais de raça pura ocorrem sem complicações, em contraste com apenas 60% em animais mestiços. A origem da raça remonta a 500 a.C., quando desempenhou um papel vital na agricultura e na produção de leite e carne.
Transformações no setor rural
A diminuição da população de Rubia Gallega coincide com uma reorganização drástica da zona rural da Galícia. Fazendas com mais de 200 cabeças de gado quintuplicaram em duas décadas, enquanto aquelas com menos de 50 animais caíram de 10 mil para menos de 1.900.
O pequeno produtor rural, que tradicionalmente mantinha de cinco a dez vacas, se tornou uma raridade. Entre 2013 e 2022, a raça Rubia Gallega perdeu 52% de seus animais registrados e 42% de suas fazendas, segundo dados de registros oficiais.
Motivos para o cruzamento
A prática do cruzamento de raças é motivada por razões econômicas. A introdução de genes de outras raças, como South Devon, Limousin, Charolês e Blonde d’Aquitaine, visa aumentar o peso e, consequentemente, o lucro por quilo. Entretanto, esses cruzamentos comprometem características essenciais da Rubia Gallega, como a facilidade de parto e a produção de leite.
Há uma década, a raça contava com 37.850 cabeças registradas, mas a queda acentuada em 2013, devido a uma limpeza no registro, impactou negativamente a população. A Rubia Gallega é também utilizada como reprodutora ideal para melhorar geneticamente vacas leiteiras da raça Frísia.
Além de parir sozinha em 85% dos casos e apresentar uma alta taxa de fertilidade entre as raças de corte, o cruzamento pode adicionar até 18% mais carne ao bezerro.
Mercado e demanda
Em 2025, os preços da carne bovina galega atingiram níveis recordes, superando 8 euros por quilo de carcaça. A Indicação Geográfica Protegida (IGP) da Vitela Gallega gerou aproximadamente € 173 milhões em receita, apesar de certificar menos carcaças do que em anos anteriores.
O que realmente se destaca nas exportações não é a carne, mas sim o sêmen: mais de 300 mil doses são vendidas anualmente, com a maior parte sendo enviada para países como Brasil, Uruguai, Polônia, Portugal, Turquia, México e até Indonésia e Nicarágua. As exportações diretas de carne, por outro lado, representam apenas 4% do total de vendas.
Desafios na certificação
Ao registrar gado, não é exigida a especificação da raça exata no matadouro, o que pode gerar confusões. A Indicação Geográfica Protegida para a carne bovina galega abrange diversas raças
