Estudo revela que desmatamento eleva risco de leishmaniose e doença de Chagas na Amazônia
Estudo revela impacto do desmatamento na leishmaniose e na doença de Chagas no Acre.
Pesquisas realizadas no Acre destacam os efeitos diversos do desmatamento na dinâmica da leishmaniose e da doença de Chagas. Os cientistas identificaram que áreas devastadas há mais tempo apresentam uma maior concentração de mosquitos-palha, que são os transmissores do protozoário do gênero Leishmania.
Além disso, a pesquisa demonstrou que paisagens com menor cobertura florestal aumentam a probabilidade de barbeiros estarem infectados pelo parasita da doença de Chagas, especialmente nas proximidades de residências.
Esses achados são cruciais para entender os mecanismos de transmissão de infecções endêmicas e podem ajudar a melhorar a vigilância epidemiológica na região. Eles se conectam com um estudo anterior que indicou um maior risco de malária em áreas parcialmente degradadas, com 50% de cobertura florestal.
Os estudos sobre a relação entre mudanças no uso da terra e a transmissão de doenças reforçam a necessidade de incluir indicadores ambientais nas estratégias de saúde pública.
Doenças tropicais negligenciadas
A leishmaniose e a malária são reconhecidas como endêmicas na Amazônia, e estão listadas entre as doenças tropicais negligenciadas (DTNs), assim como a doença de Chagas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera as DTNs um problema de saúde pública que afeta cerca de 1,4 bilhão de pessoas, mas observa que recebem menos atenção e financiamento em comparação com outras condições de saúde.
Impacto de ações humanas
Os pesquisadores avaliaram a interação entre humanos e insetos vetores em diferentes paisagens, desde florestas preservadas até áreas totalmente desmatadas, para investigar os impactos das mudanças ambientais no risco de infecções. Levantamentos de campo foram realizados em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul entre 2022 e 2024.
Este município, que é o segundo maior do Acre, enfrenta uma pressão constante de desmatamento. Os cientistas enfatizam a importância de dados empíricos sobre a relação entre a perda de floresta e o aumento do risco de zoonoses.
O pesquisador responsável pelo estudo está agora iniciando uma nova etapa, que visa restaurar áreas degradadas com espécies nativas amazônicas para monitorar as variáveis de saúde ao longo do tempo. A digitalização de imagens do local e simulações sobre a evolução de casos de malária após a restauração estão entre as etapas do novo estudo.
A colaboração com a comunidade local é essencial, pois os moradores participarão ativamente do plantio das espécies nativas. O pesquisador destaca a importância de criar intervenções práticas para combater as doenças que se relacionam com as mudanças ambientais.
Os resultados
No estudo sobre a leishmaniose cutânea, os cientistas monitoraram áreas com diferentes coberturas florestais e avaliaram como a transformação da paisagem se relaciona com a transmissão e infecção. Foram coletados mosquitos-palha (flebotomíneos), revelando que a espécie Nyssomyia antunesi é a predominante.
A leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos-palha que portam o protozoário Leishmania. A forma cutânea, que causa feridas na pele, pode evoluir para lesões nas mucosas, enquanto a forma visceral afeta órgãos internos e, se não tratada, pode ser fatal. O tratamento varia conforme a gravidade da infecção.
Em Cruzeiro do Sul, a taxa média anual de incidência de leishmaniose cutânea é de três casos por 10 mil habitantes, sendo menor em comparação a áreas mais desmatadas do estado e afetando, em sua maioria, jovens do sexo masculino nas zonas rurais.
A pesquisa também indicou que a presença de mosquitos-palha é mais influenciada pelo tempo de desmatamento do que pela cobertura florestal atual, uma vez que os vetores conseguem se estabelecer em ambientes alterados ao longo dos anos.
Assim, a
