Huawei forma ecossistema de 40 milhões de usuários com estratégia arriscada de fabricação de chips com maquinário obsoleto
A Huawei avança em inovação com novos processadores e sistema operacional próprio.
A Huawei está se destacando no mercado de tecnologia ao intensificar seus esforços em inovação. Com o lançamento do Mate 80 e seu processador Kirin 9030, a empresa rompeu a barreira dos 7 nanômetros, sinalizando um novo patamar em sua produção de silício.
Recentemente, o HarmonyOS 5 e 6 alcançaram a marca de 40 milhões de instalações, resultado da capacidade da Huawei de desenvolver hardware próprio que executa seu software de forma independente. Os processadores Kirin 8030 e o ainda misterioso Kirin X90 são os protagonistas desse sucesso.
Poderoso processador intermediário
O Kirin 8030, que será utilizado no futuro Nova 16, é um processador intermediário projetado para atender a um mercado em expansão na China. Com uma configuração octa-core (1+3+4) e frequências que chegam a 3,0 GHz, esse chip promete desempenho comparável ao Snapdragon 888, embora não seja o mais potente da atualidade.
O verdadeiro diferencial do Kirin 8030 está em sua fabricação, utilizando um processo N+2 aprimorado, além de uma NPU avançada que amplia suas capacidades. A Huawei busca oferecer a fluidez do seu processador topo de linha em dispositivos mais acessíveis, democratizando o acesso à tecnologia de ponta.
Chip para aposentar a Intel
Em resposta a desafios enfrentados com chips da Intel, a Huawei decidiu expandir sua linha de processadores Kirin para o mercado de computadores. O Kirin X90, revelado após sua utilização no MateBook Pro, é um processador de 12 núcleos e 20 threads, capaz de operar a 4,2 GHz, projetado especificamente para rodar o HarmonyOS em PCs.
Esse avanço representa um passo significativo em direção à autossuficiência, permitindo que a Huawei controle todos os aspectos da produção, desde os transistores até a qualidade da tela. A empresa busca garantir um desempenho elevado em laptops, consolidando sua presença no setor.
O sucesso do HarmonyOS é impulsionado por vendas robustas de hardware, com registros de até 150.000 novas instalações diárias, destacando a sinergia entre software e dispositivos.
Engenharia de resistência
A Huawei não apenas inova em design, mas também em fabricação de chips. Apesar das restrições de acesso às máquinas de litografia EUV da ASML, a empresa está colaborando com a SMIC e outras parceiras para desenvolver novas abordagens de fabricação:
- Atingindo um nó funcional de 5 nm com o Kirin 9030 através de técnicas de multipadrão, mesmo utilizando máquinas mais antigas, embora isso envolva custos e tempo maiores.
- Trabalhando em duas frentes para os 3 nm: uma com arquitetura GAA utilizando equipamentos chineses e outra experimental baseada em nanotubos de carbono.
- Recentemente, uma patente permite à Huawei explorar a litografia de 2 nm com padrões quádruplos autoalinhados, uma tecnologia avançada para prolongar a vida útil da litografia ultravioleta profunda.
- Desenvolvendo planos ambiciosos para usar lasers de plasma como alternativa à ASML no futuro.
A busca incessante pela autossuficiência em silício visa garantir a segurança do ecossistema da Huawei, que já convenceu 40 milhões de usuários de que existem alternativas viáveis aos sistemas operacionais tradicionais como Android, Windows e Apple.
