Bancada do PT apoia Andrei e critica Mendonça por atuação política
PT se manifesta contra afastamento de diretores da Polícia Federal pelo STF
A bancada do PT na Câmara dos Deputados expressou seu repúdio à decisão liminar do ministro André Mendonça, do STF, que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e o diretor de inteligência, Leandro Almada.
Em nota oficial, o partido reafirmou a confiança no trabalho dos diretores e acusou o magistrado de intervir politicamente na autonomia da Polícia Federal, favorecendo o senador Flávio Bolsonaro, que está concorrendo à presidência da República.
Os petistas argumentaram que a decisão de afastar os dirigentes ultrapassa os limites da jurisdição e usurpa prerrogativas do Poder Executivo. A bancada destacou que um ministro do Supremo não deve reorganizar a cúpula de um órgão do Executivo, decidindo quem pode ou não permanecer à frente da Polícia Federal.
A decisão foi criticada especialmente por ter ocorrido em um momento em que investigações sobre o escândalo do Banco Master começavam a atingir aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Mendonça ao STF.
O partido também levantou preocupações sobre a legalidade da decisão, mencionando que Mendonça afastou os diretores com base em suspeitas de que eles teriam investigado seu gabinete e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o PT, isso levanta questões de impedimento ou suspeição.
Os deputados argumentaram que é incompatível com as garantias do devido processo alguém que se considera diretamente afetado pelos fatos, qualificar condutas como ilícitas e, ao mesmo tempo, exercer o poder jurisdicional para afastar as pessoas que considera responsáveis.
A bancada acusou Mendonça de tentar constranger a Polícia Federal em um momento em que suas investigações atingem figuras politicamente poderosas, agindo acima da lei e da imparcialidade.
Andrei Passos Rodrigues foi afastado preventivamente sob a acusação de espionagem irregular ao gabinete de Mendonça. O ministro apontou que a PF produziu relatórios de inteligência sobre sua atuação e determinou a apuração da conduta da cúpula da corporação.
Documentos internos da PF foram utilizados por Alexandre de Moraes em um pedido de investigação contra Mendonça, sob suspeita de direcionamento de apurações relacionadas ao Banco Master.
Mendonça afirmou ter encontrado seis relatórios de inteligência que acompanhavam sua atuação e relação com o advogado-geral da União. Além de Andrei, o diretor de Inteligência Policial também foi afastado, e apurações foram ordenadas pela Corregedoria da PF.
O pedido de prisão preventiva de Andrei, apresentado anteriormente pelo partido Novo, foi rejeitado. A 2ª Turma do STF formou maioria para referendar os afastamentos, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista.
A decisão de Mendonça gerou preocupação na Polícia Federal, levando onze integrantes da coordenação a colocarem seus cargos à disposição em apoio ao diretor-geral. Eles afirmaram que as acusações contra Andrei Passos são infundadas e desrespeitam a história e a credibilidade da corporação.
