AGU solicita a Fachin a suspensão do afastamento de Andrei Rodrigues
AGU solicita suspensão de decisão que afastou diretores da Polícia Federal
A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou um pedido de urgência ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, visando a suspensão da decisão que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada.
No pedido, o advogado-geral da União, Jorge Messias, argumenta que a decisão interfere na prerrogativa do presidente da República de nomear o diretor da PF. A AGU ressalta que a interrupção abrupta na gestão do órgão pode comprometer as atividades de polícia judiciária, gerando um risco significativo de desorganização institucional e lesão à ordem pública.
Além disso, a AGU afirma que a liminar do relator não se baseia em novos fatos, mas sim em informações que já estavam disponíveis desde o dia 3, quando foi solicitado o início de uma investigação sobre o ministro André Mendonça por crime de responsabilidade.
Messias destacou que a decisão monocrática antecipou juízos cautelares e submeteu a questão à 2ª Turma do STF, embora o próprio relator tenha indicado que a matéria deveria ser tratada no Plenário.
O advogado-geral também foi mencionado como uma possível vítima de monitoramento ilegal no relatório da PF, que serviu de base para a decisão de Mendonça, e defendeu a prerrogativa da AGU em negar uma solicitação anterior da corporação.
O afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, determinado por Mendonça, intensificou a disputa interna com o ministro Alexandre de Moraes. A crise teve início quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que implicava Moraes em diálogos com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, sobre favores relacionados a investigações.
Após a divulgação do relatório, Moraes solicitou à PF informações sobre investigações que mencionavam membros do Supremo, apontando supostas irregularidades na condução dos casos sob relatoria de Mendonça.
Na sequência, Moraes pediu a Fachin a investigação de Mendonça por atos de improbidade administrativa e abuso de autoridade, alegando motivações pessoais e políticas nas conduções dos casos Master e INSS.
Fachin abriu um procedimento para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República e Andrei Rodrigues apresentassem esclarecimentos sobre as acusações. Na terça-feira, Mendonça decidiu liminarmente afastar os dois diretores da PF, alegando que também teria sido investigado sem autorização do Plenário.
A decisão foi levada à 2ª Turma do STF, mas o julgamento virtual foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
