Brasil pode receber até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos
Pará pode sentir impactos da proibição da exportação de carne bovina para a Europa.
A proibição da exportação de carne bovina para o mercado europeu poderá gerar efeitos significativos na economia do Pará, especialmente para os frigoríficos locais.
Estima-se que os frigoríficos brasileiros estejam preparados para fornecer entre 90 mil e 120 mil toneladas das 300 mil toneladas que foram autorizadas pelo governo americano para exportação.
A decisão, anunciada anteriormente, visa aumentar a oferta de carne nos Estados Unidos, com foco na redução dos preços, especialmente da carne moída utilizada em hambúrgueres.
Com as novas regras, o Brasil se destaca como um dos países com maior potencial para preencher essa lacuna no mercado americano.
Fernando Iglesias, analista do setor, aponta que a robustez da indústria brasileira e o número de frigoríficos habilitados para exportar para os Estados Unidos colocam o país em uma posição vantajosa nessa disputa.
A nova cota de exportação, no entanto, apresenta diferenças em relação à regra anterior. Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas para exportar aos Estados Unidos sem tarifas adicionais, volume que foi totalmente utilizado em apenas 15 dias.
Após o preenchimento dessa cota, a carne brasileira ainda pode entrar no mercado americano, mas estará sujeita a uma tarifa adicional de 26,4%.
Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando uma receita de US$ 1,74 bilhão, um aumento de 28,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A nova medida do governo americano estabelece uma cota adicional de até 300 mil toneladas, sem tarifas, por um período de 90 dias, favorecendo aqueles que conseguirem ocupar esse espaço.
Nem todos os principais fornecedores de carne para os Estados Unidos irão competir diretamente por essa nova cota. A Argentina, por exemplo, já possui cotas específicas para o mercado americano.
- Os principais exportadores de carne para os EUA são, em ordem: Brasil, Austrália, Canadá, México e Nova Zelândia.
De acordo com Iglesias, os concorrentes diretos do Brasil para essa nova cota são o Paraguai e países da América Central. Contudo, o Brasil se beneficia do tamanho de sua indústria e da quantidade de frigoríficos credenciados para exportação.
Contudo, isso não implica que as 300 mil toneladas sejam automaticamente distribuídas entre os países. Cada exportador precisará conquistar seu espaço no mercado, e a capacidade de oferecer preços competitivos será crucial.
O tipo de carne demandada pelos Estados Unidos pode influenciar a decisão dos frigoríficos brasileiros. A nova demanda se concentra nos trimmings, pedaços retirados durante o processamento da carcaça, usados na produção de carne moída, ingrediente essencial para o hamburguer americano.
Essa situação levanta questionamentos na indústria: vale a pena direcionar esse produto para os Estados Unidos?
Como os trimmings têm menor valor agregado e representam apenas uma fração da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar o preço oferecido pelos americanos, os custos de exportação e o retorno que poderiam obter em outros mercados.
Segundo Iglesias, as empresas estão em processo de análise. A preocupação é que um aumento excessivo nos preços torne a operação menos atrativa para os compradores americanos, comprometendo o objetivo de ampliar a oferta de carne a preços mais acessíveis.