Brasileiro enfrenta horrores da guerra na Ucrânia em busca de adrenalina e sobrevive a uma jornada de fome e perda

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Baiano enfrenta a guerra na Ucrânia e retorna com traumas e perdas significativas.

Um jovem baiano decidiu se alistar no conflito ucraniano em busca de aventura, mas acabou enfrentando uma dura realidade. Inicialmente, seu plano era permanecer por 30 dias, mas ele acabou ficando por 172 dias, quase seis meses, durante os quais viveu sob constantes bombardeios e presenciou a morte de colegas.

Durante sua estadia, ele perdeu 28 quilos, resultado da alimentação precária que consistia em ração militar. Em algumas ocasiões, chegou a passar três dias apenas com tempero de macarrão instantâneo. Ao retornar ao Brasil, ele pesava cerca de 60 quilos, uma drástica redução em relação aos 90 quilos que tinha ao partir.

Desafios e situações de risco

Além da falta de comida, o jovem enfrentou situações de extremo perigo. Em um ataque, ele foi ferido por estilhaços de granada e ficou temporariamente com parte do corpo paralisada. A morte de colegas foi uma constante, incluindo um amigo que, desprotegido, foi atingido por um drone.

Retorno complicado

O retorno ao Brasil não foi fácil. O combatente teve que fugir da linha de frente, sendo perseguido por soldados ucranianos. Ele descreveu a situação como uma luta pela sobrevivência, onde teve que se confrontar com os próprios ucranianos para conseguir escapar.

Finalmente, em janeiro, ele conseguiu deixar o país. Sua mãe, preocupada, passou meses sem notícias do filho e acreditava que ele não sobreviveria. A incerteza e o medo marcaram esse período angustiante para a família.

Impactos emocionais

Durante sua permanência no front, ele mantinha contato com sua filha pequena por videochamadas. A menina se referia à trincheira como “buraco”, uma lembrança que se tornou dolorosa para ele. Ao voltar, o ex-combatente tenta retomar sua vida, mas as memórias da guerra ainda o assombram.

Ele espera que a presença da filha possa ajudar a amenizar suas lembranças traumáticas, trazendo um pouco de leveza aos dias difíceis que ainda enfrenta.

A guerra na Ucrânia, que se aproxima do quarto ano, continua a causar perdas. Desde seu início, 19 brasileiros perderam a vida no conflito, e outros 44 estão desaparecidos. A embaixada da Ucrânia no Brasil esclarece que não recruta brasileiros, e aqueles que se alistam têm os mesmos direitos e deveres que os cidadãos ucranianos em serviço militar.

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