Estudo revela que 60% das empresas brasileiras desconhecem a eficácia da inteligência artificial
Mais da metade das empresas brasileiras não mensura o retorno da inteligência artificial.
Um recente estudo revelou que 55,1% das lideranças empresariais no Brasil não possuem um mapeamento estruturado do retorno sobre investimento (ROI) em inteligência artificial (IA). Este dado representa um aumento significativo em relação aos 30,6% identificados no ano anterior, evidenciando uma lacuna na capacidade de mensuração dos resultados dessa tecnologia emergente.
De acordo com especialistas, as empresas começaram a reconhecer a IA como uma força de trabalho, mas muitas ainda não implementam controles financeiros adequados para sua gestão. Isso gera um desafio considerável, pois sem uma medição clara do ROI, torna-se difícil justificar investimentos em agentes de IA.
A pesquisa também destacou que a falta de maturidade financeira no uso de IA é uma das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas. Um em cada quatro entrevistados (26,2%) não possui um orçamento definido para projetos de IA, enquanto 19,5% precisam competir por recursos dentro do orçamento de TI, o que limita a autonomia necessária para a implementação eficaz dessa tecnologia.
Além disso, a segurança da informação e a privacidade surgem como os principais obstáculos para a adoção de agentes de IA, com 13,7% das respostas indicando essa preocupação. A integração com sistemas legados ocupa a segunda posição, enquanto a escassez de talentos, que foi uma preocupação significativa nos últimos anos, caiu para o último lugar, sendo mencionada por apenas 3,2% dos entrevistados.
Os especialistas ressaltam que a velocidade da autonomia dos agentes de IA ultrapassou a capacidade de governança das empresas. A falta de um controle adequado, como um Gateway que monitore e registre as atividades dos agentes, pode resultar em gastos não monitorados e potenciais vazamentos de dados.
Desafios na governança e implementação
Com a rápida adoção de IA, apenas 41,9% das empresas afirmam ter políticas ou frameworks de segurança e ética para o uso dessa tecnologia. A maioria dos usuários de IA não está em cargos de alta gestão, o que contribui para o fenômeno conhecido como Shadow AI, onde ferramentas são utilizadas fora do controle corporativo. Em termos de infraestrutura, 55,2% das empresas não têm conhecimento sobre o que é um Gateway de IA, essencial para proteger o tráfego dos agentes.
A transição de projetos piloto para operações em larga escala também apresenta desafios. Aproximadamente 48% das empresas estão em uma fase intermediária, dividindo-se entre projetos-piloto e implementações específicas. Apenas 13,8% alcançaram um uso generalizado da IA, um crescimento modesto em relação ao ano anterior. A autonomia total dos agentes, sem supervisão humana, é rara, com apenas 3,6% das empresas permitindo que esses agentes realizem processos críticos de forma independente.
A expectativa sobre o impacto da IA na força de trabalho é significativa. Setenta e sete por cento das empresas planejam realizar ajustes em suas equipes nos próximos três anos, com 28,7% planejando realocar e requalificar funcionários, 27% congelando contratações operacionais e 21,6% prevendo cortes diretos de posições. Apenas 13,8% esperam expandir suas equipes.
O estudo, que ouviu 167 executivos de grandes empresas entre abril e julho de 2026, destaca a necessidade urgente de uma abordagem mais estruturada e consciente em relação à implementação e gestão da inteligência artificial nas organizações brasileiras.