Fluxo financeiro investigado pela PF aponta para Frias em caso “Dark Horse”

Compartilhe essa Informação

Polícia Federal investiga emendas de Mario Frias ligadas a financiamento de filme.

A Polícia Federal está conduzindo uma investigação sobre um fluxo de recursos que se inicia em emendas parlamentares do deputado Mario Frias e se destina a empresas associadas à Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A apuração levanta suspeitas de desvio e ocultação de recursos públicos, além de possíveis irregularidades no financiamento da produção cinematográfica. Frias, que ocupa o cargo de produtor-executivo do filme, figura entre os alvos da operação Make Up, deflagrada recentemente.

O esquema identificado pela PF envolve R$ 2 milhões em emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), com pagamentos de R$ 700 mil a duas empresas, uma transferência de R$ 750 mil à Go Up e outros R$ 645,4 mil que foram enviados diretamente pelo deputado à produtora.

A relação entre esses valores é um dos focos da investigação. O ICB recebeu os R$ 2 milhões de duas emendas apresentadas por Frias, e parte dos recursos foi utilizada no Termo de Fomento nº 971232, que contemplou a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional com R$ 700 mil.

Além disso, a NTT Brasil, pertencente ao mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment no mesmo período. A PF destaca que esse valor é “quase que exatamente correspondente” aos R$ 700 mil recebidos pelas outras empresas do grupo.

Outro ponto relevante é que Frias transferiu R$ 645,4 mil diretamente à Go Up em um intervalo inferior a 60 dias. A PF observou que os rendimentos mensais do deputado eram de R$ 44.008,52, levantando questionamentos sobre a origem dos fundos utilizados nas transferências.

As movimentações financeiras levantam suspeitas sobre a compatibilidade dos valores enviados por Frias à Go Up com seus rendimentos declarados e os créditos nas contas bancárias analisadas. Para a PF, essas operações colocam o deputado como “participante ativo da engrenagem financeira sob investigação”, classificando-o como um “agente central” em uma possível organização criminosa.

A Go Up Entertainment tem como sócia Karina Gama, que também preside o ICB e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Ela está entre os alvos da operação. A produtora movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, com remessas significativas de NTT Brasil e Frias.

A PF ressalta a “coincidência temporal” entre essas movimentações financeiras e as filmagens de “Dark Horse”, que ocorreram em São Paulo de 20 de outubro a 7 de dezembro de 2025. Durante esse período, a Go Up realizou pagamentos a hotéis de luxo, empresas de alimentação e outras produtoras, o que é considerado relevante para a investigação.

A operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e visa apurar possíveis irregularidades na execução de emendas parlamentares. A PF e a Controladoria Geral da União (CGU) cumpriram 49 mandados de busca e apreensão em diversos estados, investigando crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As decisões do ministro incluem a proibição de contato entre os investigados, restrições de saída do país e a suspensão de contratos públicos com as entidades envolvidas na investigação.

O fluxo de recursos investigado revela um esquema complexo que envolve emendas de Frias, transferências a empresas do grupo e despesas durante as filmagens do longa-metragem. A investigação continua em andamento, e novas informações podem surgir à medida que os detalhes são desvendados.

O gabinete de Mario Frias foi contatado para comentar sobre a investigação, mas não houve resposta até o momento. O mesmo ocorreu com Karina Gama, que não foi localizada para se manifestar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *