Hospital de Bom Jesus encerra atividades a partir de 15 de setembro devido a falta de repasses, escassez de medicamentos e greve

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Fechamento temporário do hospital em Bom Jesus gera preocupação na comunidade.

A saúde pública nos Campos de Cima da Serra Gaúcha enfrenta um momento crítico, com o fechamento temporário do hospital de Bom Jesus, anunciado pela Fundação Amigos do Hospital. A suspensão total das atividades assistenciais ocorrerá a partir da próxima terça-feira, dia 15 de setembro.

O presidente da instituição, Diogo Kramer Boeira, revelou em comunicado oficial que a decisão é resultado de um colapso financeiro. A principal causa da paralisação é a falta de repasses de verbas essenciais pelo Poder Público, que resultou em uma dívida acumulada de R$ 1.792.000,00.

Na nota oficial enviada às autoridades regionais, a direção do hospital detalhou a composição da dívida judicializada que comprometeu as finanças da instituição. Os valores incluem R$ 960.000,00 referentes a atrasos nos meses de julho, agosto e setembro de 2026, R$ 512.000,00 de valores retidos de 2025 que permanecem depositados em juízo e R$ 320.000,00 de repasse pendente relativo ao mês de dezembro de 2025.

Desde janeiro de 2025, a situação financeira do hospital tem se agravado. Intervenções da prefeitura e decisões judiciais resultaram em um estrangulamento financeiro. O hospital teve que ajuizar ações para obter recursos, mas a falta de inclusão do valor da subvenção social no orçamento da prefeitura em 2026 complicou ainda mais a situação. Mesmo com uma liminar deferida para o repasse mensal, o hospital ainda aguarda a efetivação dos pagamentos.

A falta de recursos resultou em desabastecimento imediato de insumos essenciais. Prestadores de serviços e fornecedores pararam de entregar oxigênio hospitalar, medicamentos fundamentais e insumos básicos. Com a greve dos funcionários e a paralisação dos médicos programada para o dia 15, a administração do hospital afirma que não há condições de manter as operações.

Em resposta ao colapso, a Fundação notificou órgãos competentes, como o Cremers, Coren-RS e o Ministério Público, isentando a instituição e a equipe médica de qualquer responsabilidade civil ou criminal por complicações de saúde que possam ocorrer após a suspensão das atividades. A nota enfatiza que a responsabilidade pela assistência à população é do Estado e dos gestores públicos.

Os moradores que necessitarem de atendimento médico urgente devem procurar imediatamente o hospital mais próximo. A administração do hospital continua buscando a liberação dos recursos na Justiça para tentar reabrir a instituição o mais breve possível.

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