Monte Everest derrete em ritmo acelerado devido a 6 mil litros de urina por dia

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Estudo revela o impacto humano no derretimento da geleira Khumbu no Everest.

O Everest, conhecido por sua majestosa altura, enfrenta uma crise de derretimento acelerado, exacerbada pela presença de milhares de pessoas que se reúnem a cada primavera no Acampamento Base, situado sobre a geleira Khumbu. Uma nova pesquisa quantificou como essa superlotação e as atividades humanas contribuem para o aquecimento da região.

Durante a alta temporada, o Acampamento Base se transforma em uma cidade temporária, onde alpinistas, guias e trabalhadores utilizam grandes quantidades de combustível para suas necessidades diárias. Pesquisadores estimam que mais de 6 mil litros de urina são gerados diariamente, e essa urina, ao ser liberada na geleira, contribui para o aumento da temperatura local, resultando em um derretimento significativo de gelo.

O estudo revelou que a energia térmica gerada pela urina e pelo uso de combustíveis, como gás e querosene, durante a temporada, poderia teoricamente derreter cerca de 2.492 toneladas de gelo e neve. No entanto, a maior parte desse calor provém do uso de combustíveis, sendo a urina responsável por apenas uma fração desse derretimento.

A infraestrutura do Acampamento Base, que inclui tendas, cafés e até chuveiros quentes, demanda um suprimento constante de combustível, resultando em uma pressão adicional sobre a geleira. Essa situação levanta questões sobre a sustentabilidade do turismo na região e o impacto ambiental das atividades humanas.

Além do calor gerado, a pesquisa também analisou as temperaturas da superfície ao redor do acampamento, descobrindo um aumento médio de 0,28 °C por ano, o que é significativamente maior do que o observado em outras áreas da geleira. Essa diferença sugere uma clara influência humana no aquecimento local, embora não se possa atribuir todo o aumento exclusivamente à presença dos alpinistas.

Os pesquisadores reconhecem que suas estimativas são parciais, pois não consideraram todas as fontes de calor, como o calor corporal dos alpinistas e as emissões de helicópteros. Assim, os dados apresentados refletem apenas uma parte do problema, mas já indicam a magnitude do impacto humano na geleira.

Embora o aquecimento global continue a ser o principal fator do derretimento das geleiras do Himalaia, a concentração de pessoas e suas atividades em um local tão vulnerável intensificam o problema. O estudo destaca que até mesmo a urina, um aspecto cotidiano da vida humana, se torna um indicador do impacto significativo que a presença humana tem sobre o ambiente montanhoso.

Os desafios não se limitam ao derretimento do gelo; os dejetos humanos e outros resíduos gerados pelas expedições também representam uma ameaça ao ecossistema local. Pesquisadores sugerem que a realocação do Acampamento Base para uma área mais estável deve ser considerada, a fim de mitigar o impacto negativo das atividades humanas na geleira Khumbu.

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