Um quinto dos jovens até 17 anos já fez apostas em jogos, aponta pesquisa
Apostas online entre jovens brasileiros cresce de forma alarmante
Mesmo com restrições para menores de 18 anos, as apostas online já estão presentes na vida de crianças e adolescentes no Brasil. Um estudo recente revela que 9,5% dos estudantes de 11 anos admitiram já ter participado de apostas.
Essa prática aumenta conforme a idade avança, alcançando 32,3% entre os 17 anos e superando 40% entre aqueles com mais de 18 anos. A situação é ainda mais preocupante entre os meninos, onde 49,7% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio relataram já ter feito apostas online.
No total, 20,4% dos entrevistados afirmaram ter experiência com apostas, com uma crescente exposição ao longo da vida escolar. Entre os alunos do Fundamental II, 16,2% já apostaram, percentual que sobe para 27,3% no Ensino Médio. Isso indica que um em cada três estudantes do Ensino Médio já teve contato com as plataformas de apostas antes da idade legal permitida.
Gênero
A pesquisa também destaca uma diferença significativa entre os gêneros. Enquanto 27,8% dos meninos relataram ter apostado, apenas 12,6% das meninas tiveram a mesma experiência. No Fundamental II, 19,1% dos meninos apostaram, enquanto no Ensino Médio esse número sobe para 41,7%. Para as meninas, os percentuais são de 13,1% e 11,8%, respectivamente.
A diferença se torna ainda mais evidente ao comparar as faixas etárias: entre os meninos, a proporção que já apostou aumenta de 12,8% no 6º ano do Ensino Fundamental para 49,7% no 3º ano do Ensino Médio. Entre as meninas, o percentual vai de 9,4% no 6º ano para 16,6% no último ano do Ensino Médio.
Ganho
Dentre os estudantes que já apostaram, 35,2% afirmaram ter ganhado mais do que perderam, enquanto 27,7% relataram perdas superiores aos ganhos. Notavelmente, 37,1% não conseguem determinar se ganharam ou perderam mais. Isso significa que quase quatro em cada dez estudantes com experiência em apostas não têm clareza sobre seu saldo financeiro.
Os valores de ganhos e perdas mais comuns estão nas faixas menores. Entre aqueles que perderam mais do que ganharam, 10,8% estão na faixa de R$ 1 a R$ 50. Para os que afirmaram ter saldo positivo, essa mesma faixa também é a mais frequente, com 9,6% dos entrevistados.
Alerta
A deputada Tabata Amaral, presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, expressou preocupação com os resultados da pesquisa, destacando a necessidade de atenção à exposição precoce de crianças e adolescentes às plataformas de apostas.
“Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira. A Bancada da Educação tem o compromisso de olhar para esse problema a partir de evidências e ajudar a construir políticas públicas que protejam crianças e adolescentes.”
O levantamento foi realizado com 1.912 estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em 191 escolas de todo o Brasil, entre agosto e setembro de 2026, apresentando uma margem de erro de 2,4 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.
