Operação da PF investiga emendas para filme ‘Dark Horse’ e apreende armas
Polícia Federal realiza operação para investigar desvio de recursos em filme sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga o desvio de recursos parlamentares destinados ao filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os alvos da operação está o deputado Mario Frias, autor das emendas sob suspeita e roteirista do longa-metragem. Também foi alvo de mandado Karina Gama, da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do STF, resultou na apreensão de sete armas registradas em nome de Frias, que foram encontradas em um local diferente do registrado. Isso levantou investigações sobre a posse ilegal de armas de fogo.
Intitulada “Make Up”, a operação visa apurar o suposto desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que foram repassadas a uma organização da sociedade civil por meio de um termo de fomento.
A defesa de Karina Gama não se manifestou, mas afirmou anteriormente que a aplicação dos recursos foi feita de forma correta. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa de Mario Frias.
Os mandados estão sendo cumpridos em diversas localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
As investigações indicam a existência de uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados, que supostamente direcionou valores recebidos para empresas subcontratadas irregularmente, sem a devida comprovação dos serviços prestados. Os desvios teriam ocorrido até julho deste ano, com movimentação financeira de “centenas de milhões” entre as empresas envolvidas.
A Controladoria-Geral da União (CGU) também participou da operação e realizou uma auditoria que levantou suspeitas sobre as emendas de Frias. A Polícia Federal investiga crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Além do inquérito sob a relatoria de Flávio Dino, há outra investigação sob o ministro André Mendonça no STF, que também está relacionada ao caso.
Em agosto, Dino autorizou a PF a acessar provas coletadas pela Polícia Civil de São Paulo, que havia iniciado uma investigação sobre a Go Up Entertainment e possíveis irregularidades em um contrato municipal.
O contrato em questão, no valor de R$ 108 milhões, foi firmado entre a gestão de Ricardo Nunes e o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama. O objetivo do contrato era fornecer wi-fi gratuito a comunidades carentes.
Karina Gama sempre negou qualquer irregularidade relacionada à sua atuação e à utilização dos recursos.