Levantamento revela uso de inteligência artificial não identificado por candidatos
TSE impõe restrições ao uso de inteligência artificial nas eleições de 2023
Um levantamento recente revela que, nas contas oficiais dos candidatos, foram identificados pelo menos 37 conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) nas redes sociais, todos sem qualquer indicação de manipulação digital.
Entre 16 e 26 de agosto, foram coletados 314 conteúdos suspeitos em redes sociais e aplicativos de mensagem, dos quais 282 apresentavam o uso de IA. A maioria desses conteúdos referia-se a deepfakes, que são criações artificiais destinadas a simular a aparência, voz ou identidade de indivíduos reais.
O estudo aponta que Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foi o mais afetado, com 115 ocorrências de conteúdos falsos gerados por IA. Flávio Bolsonaro, por sua vez, foi a segunda maior vítima, aparecendo em 56 conteúdos manipulados.
O Facebook se destacou como a plataforma com o maior número de registros de conteúdo enganoso, contabilizando 202 ocorrências, seguido pelo Instagram, que teve 62 registros.
Cristina Tardáguila, especialista em inovação e fundadora da Agência Lupa, ressalta que a gravidade dos 37 casos se deve ao fato de que as publicações não foram feitas por contas anônimas, mas sim por perfis oficiais de candidatos e partidos, que têm a responsabilidade de informar ao eleitor sobre o uso de inteligência artificial.
Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou restrições ao uso de IA durante as eleições, limitando modificações que envolvam imagens e vozes de candidatos ou figuras públicas.
A Corte também destacou que provedores de internet poderão ser responsabilizados judicialmente caso não removam perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.