Expedição analisa biodiversidade na região alta da Amazônia
Expedição revela a biodiversidade única do topo da Serra do Aracá, no Amazonas.
Em uma área de floresta no platô da Serra do Aracá, uma entomologista realiza coletas de insetos, incluindo uma colônia de cupins, enquanto busca entender a biodiversidade local. A pesquisa, que envolve 16 cientistas, visa coletar espécimes da fauna e flora, além de amostras de água e solo, em um esforço inédito na região.
A cientista, embora especialista em formigas, dedica horas capturando insetos, enfrentando os desafios do ambiente, como picadas de moscas e mordidas de formigas. O objetivo é coletar o máximo possível de espécimes para estudo, contribuindo para o acervo biológico do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
A expedição é considerada um marco na prospecção de biodiversidade, com foco em ecossistemas de altitude que abrigam espécies diferentes das encontradas nas partes mais baixas da Amazônia. Financiada pela FAPESP e apoiada pelo Exército Brasileiro, a equipe inclui pesquisadores de várias instituições, com experiência em diversos grupos de organismos.
A jornada começou com a ansiedade dos pesquisadores durante a viagem de São Paulo a Barcelos, onde se localiza a base operacional. A altitude de 1.260 metros no topo do tepui apresenta um ambiente único para coleta, e o planejamento prévio envolveu a consulta a dados históricos e listas de espécies.
As coletas de botânicos ocorrem durante o dia, enquanto a zoologia se adapta aos ciclos noturnos dos animais. Os ornitólogos, por exemplo, capturam aves ao amanhecer, utilizando redes para registrar a diversidade avifaunística. A primeira semana trouxe surpresas, como a captura de beija-flores e a escassez de aves nas matas de encosta.
A equipe de mamíferos também fez descobertas significativas, incluindo um roedor que não havia sido registrado em expedições anteriores. A captura desse animal foi celebrada como um avanço importante na pesquisa.
Os herpetólogos, por sua vez, exploram a fauna noturna, registrando cantos de anfíbios e capturando espécimes para análise. A rigidez metodológica é crucial para garantir a precisão dos dados coletados, e a primeira fase já revelou novas espécies de lagartos.
A expedição, portanto, não apenas busca catalogar a biodiversidade, mas também contribuir para o conhecimento científico sobre uma das regiões mais ricas e menos exploradas do planeta.