Agente de IA é classificado como fornecedor e não como funcionário

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IT Forum celebra 35 anos de transformações no mercado de tecnologia.

No dia 19 de setembro, o IT Forum completa 35 anos, um período que testemunhou várias transformações no mercado brasileiro de tecnologia. Durante esse tempo, o setor passou por mudanças significativas que prometiam revolucionar as operações, mas também deixaram lições valiosas.

Em vez de listar as inovações, é mais interessante refletir sobre o que se manteve constante. As promessas de transformação não se mostraram exageradas; o downsizing, os ERPs e a migração para a nuvem realmente cumpriram suas promessas. No entanto, a questão central sempre foi a demora na entrega e o custo associado a essa espera.

O que os números realmente dizem

Um estudo realizado em 2012 analisou projetos de TI de grande porte e revelou que, em média, esses projetos ultrapassaram o orçamento em 45% e o prazo em 7%, além de entregar 56% menos valor do que o esperado. Atualmente, apenas 48% das iniciativas digitais alcançam suas metas de negócio, evidenciando que o problema não reside na funcionalidade da tecnologia, mas na velocidade com que as organizações se adaptam a ela.

O aprendizado das últimas décadas é claro: o verdadeiro desafio não é a tecnologia em si, mas a capacidade de reorganização das empresas em torno dela. Cada transformação trouxe lições sobre como evitar desperdícios e otimizar processos.

O ERP e suas lições para a inteligência artificial

Durante uma masterclass, foi feita uma comparação entre a implementação de inteligência artificial e a de um ERP. Embora as abordagens sejam semelhantes, a perspectiva varia. O gargalo nas implementações não é o software, mas sim os processos, dados e o suporte executivo. Muitas vezes, o pedido é para que a tecnologia se adapte ao modo de operar existente, o que acaba por limitar as mudanças necessárias.

O ERP contava com uma comunidade robusta, com associações de usuários e metodologias estabelecidas. Em contraste, a inteligência artificial ainda carece desse suporte estruturado, o que pode dificultar sua implementação eficaz. A falta de um método consolidado para a IA pode levar a resultados insatisfatórios, tornando essencial a exigência de um método claro antes de qualquer projeto piloto.

O que cada onda cobrou

Transformações como o downsizing e a arquitetura cliente-servidor ensinaram sobre a importância da governança de dados. A internet revelou que a digitalização de um catálogo não é sinônimo de um novo modelo de negócios. A nuvem alterou a natureza dos gastos tecnológicos, passando de um investimento fixo para um consumo variável, o que exige uma nova abordagem na gestão financeira.

A mobilidade, por sua vez, trouxe à tona a necessidade de repensar a relação com os stakeholders, indo além da mera aquisição de dispositivos. A inteligência artificial está em um ponto semelhante: a verdadeira questão não é apenas a ferramenta, mas as novas interações que ela possibilita.

A transformação menos reconhecida

Uma transformação que frequentemente não é mencionada, mas que reorganizou muitas empresas, é a terceirização. O debate atual sobre agentes de IA muitas vezes se perde em questões sobre sua classificação como ferramenta ou funcionário. No entanto, é crucial entender que agentes de IA não se encaixam nos organogramas tradicionais, pois não têm responsabilidade direta pelos resultados.

Tratar agentes como funcionários é inadequado; a abordagem correta deve ser contratual, definindo claramente escopos e responsabilidades. A experiência com terceirização mostra que a supervisão não é o que garante o sucesso, mas sim a observabilidade e a definição clara de resultados esperados.

O que isso muda na conversa com o conselho

Essas questões não são meramente técnicas; elas são fundamentais para a tomada de decisões em nível estratégico. É essencial entender o custo unitário das capacidades oferecidas, quem é o responsável pelos resultados e o que já está em operação sem supervisão formal.

Além disso, é crucial estabelecer uma taxa de erro aceitável, considerando que a tecnologia de IA é probabilística e traz riscos associados. O mercado de proteção de sistemas de IA está em crescimento, mas ainda é pequeno em comparação com os investimentos em tecnologia, o que ressalta a importância de uma abordagem proativa em segurança.

A pergunta que fica

As lições aprendidas ao longo de 35 anos de transformações tecnológicas geraram um conjunto de disciplinas valiosas.

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