Tráfego de animais e plantas cresce nas plataformas digitais como Facebook, TikTok e Shopee

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Um novo estudo revela que o tráfico ilegal de fauna e flora se expandiu significativamente nas redes sociais, colocando em risco diversas espécies. A pesquisa, liderada por especialistas da Universidade de Helsinque, destaca como plataformas digitais se tornaram um novo território para esse comércio ilegal.

O tráfico de espécies silvestres agora se utiliza de redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok e outras plataformas online para facilitar a venda de animais e plantas. O estudo mostra que essa prática tem se intensificado, com um aumento notável na quantidade de anúncios relacionados a espécies ameaçadas.

Dados alarmantes foram coletados durante um monitoramento em 2025, onde mais de 1.600 primatas foram identificados à venda em quatro redes sociais em apenas seis semanas. Além disso, em uma pesquisa abrangente em 280 plataformas, foram encontrados 33.006 exemplares de espécies protegidas, sendo a maioria animais vivos.

Espécies como aves, serpentes, rãs e plantas ornamentais estão entre as mais afetadas por esse comércio. A dificuldade em rastrear essas atividades se deve à diversidade e ao alcance do mercado, que opera de forma ágil e em larga escala.

Fatores que favorecem o tráfico online

Os pesquisadores identificaram vários fatores que facilitam a expansão do tráfico de animais e plantas na internet. A baixa percepção de risco, a regulação ineficaz das plataformas e o anonimato proporcionado pela internet são algumas das principais razões para o crescimento desse mercado.

“O comércio ilegal de fauna e flora silvestres online se estende por inúmeras plataformas, representando uma ameaça crescente à conservação da biodiversidade”, afirma um dos autores do estudo.

Além dos impactos diretos nas espécies comercializadas, o tráfico também pode aumentar o risco de introdução de espécies invasoras e de doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos.

Apesar da gravidade do problema, ainda existem lacunas na medição do volume real desse comércio e na compreensão do comportamento dos consumidores, o que dificulta a formulação de respostas eficazes por parte das autoridades.

O papel da África no comércio ilegal

A África é um exemplo claro das dinâmicas do tráfico de espécies. Dados indicam que cerca de 800 mil papagaios-cinzentos-africanos foram comercializados de 2010 a 2021. Além disso, o monitoramento de contas de exportadores em redes sociais revelou a venda de mais de 200 espécies diferentes.

Na África do Sul, a coleta de plantas suculentas, como o gênero Conophytum, tem aumentado rapidamente, saturando o mercado ilegal e reduzindo drasticamente os preços em um curto período. No entanto, essa pressão sobre a biodiversidade não diminuiu, levando a uma migração para a coleta de outras plantas e répteis.

Propostas para enfrentar o problema

Pesquisadores defendem que a solução para o tráfico de espécies deve incluir a participação ativa das comunidades locais e uma abordagem mais ampla que vá além da aplicação de tecnologia e leis. A colaboração entre empresas de tecnologia, reguladores e organizações não governamentais é essencial para enfrentar esse desafio.

A proposta inclui o uso de inteligência artificial para melhorar a vigilância e a moderação nas plataformas digitais, além de fortalecer marcos internacionais que ajudem a regular o comércio ilegal.

O problema é complexo, mas a cooperação entre diferentes setores pode levar a soluções eficazes. É fundamental que ações sejam tomadas para proteger a biodiversidade e garantir a conservação das espécies ameaçadas.

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