Mocidade relembra momentos marcantes da Parada

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Nostalgia dos desfiles escolares na Semana da Pátria

Durante a Semana da Pátria, muitos sentem uma forte nostalgia dos tempos de escola, especialmente das Paradas da Mocidade. Os colégios, tanto públicos quanto particulares, mobilizavam seus alunos para participar do desfile militar, que acontecia em um domingo pela manhã, antes do 7 de setembro. Os ensaios eram intensos, com as bandas marciais se preparando para apresentar suas melhores performances.

Um momento marcante foi quando os alunos da quarta série ginasial do Colégio Rosário desfilaram pela avenida Farrapos, vestidos de terno e gravata, simbolizando a proximidade da formatura. A lembrança de marchar nas primeiras filas, com um terno surrado em um dia de calor, traz à tona a mistura de orgulho e desconforto daquela ocasião.

A competição entre as bandas marciais era acirrada. A banda do Colégio Rosário se destacava, competindo fortemente com a das Dores, liderada por Cláudio Brito, amplamente reconhecida pela sua qualidade. Outros colégios, como o São João e o Julinho, também eram conhecidos por suas bandas talentosas, que animavam os desfiles.

No comando da banda, o Mor da Banda, uma figura semelhante a um maestro, era acompanhado por um grupo de alunas que realizavam acrobacias, uma visão impressionante para os jovens espectadores. Os instrumentistas, com seus metais e percussão, compunham um espetáculo sonoro. Muitos iniciantes começavam tocando pífaros, uma experiência que alguns, como eu, descobriram não ter vocação para seguir. A vida na banda trazia benefícios, como boas avaliações dos professores e a atenção das garotas, enquanto eu permanecia com meu terno surrado.

Atualmente, poucas bandas marciais ainda existem, e a Parada da Mocidade se transformou em uma simples aglomeração de escolas infantis desfilando em seus bairros, repletas de entusiasmo, mas com pouca produção visual. O civismo e o patriotismo perderam espaço, e o termo Mocidade se restringiu a contextos como escolas de samba ou grupos jovens de partidos políticos. Hoje, as gerações são identificadas por letras, como X, Y, Z, Alfa, Beta e Millennials, e não seria surpreendente ver desfiles onde os jovens marchassem, mas distraídos com seus iPads e celulares.

Essas mudanças refletem os tempos modernos, que parecem irreversíveis. Contudo, é válido apreciar a nostalgia de uma época em que o maior desconforto que enfrentava era desfilar com meu surrado terno domingueiro.

Apelar para o saudosismo tornou-se um refúgio em tempos de crise institucional constante no país.

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