Cresce o fenômeno dos pais hikikomori na Coreia do Sul, que se isolam voluntariamente em celas

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Confinamento voluntário busca compreensão entre pais e filhos em situação de isolamento.

Quatro paredes nuas cercam os participantes desse programa inovador. Sem a permissão de celulares, computadores ou acompanhantes, eles vestem uniformes azuis e têm contato com o mundo exterior apenas por uma pequena abertura na porta, onde recebem refeições ocasionalmente. O que parece uma prisão de segurança máxima é, na verdade, uma “fábrica de felicidade”, onde os ocupantes estão ali por escolha própria.

Localizados na Coreia do Sul, esses quartos têm como objetivo principal fazer com que os pais compreendam os sentimentos de seus filhos, que se isolam do mundo. Essa condição é conhecida como hikikomori.

Um exemplo disso é a experiência de mães de jovens que vivem em isolamento. Em um dos casos, o filho de uma mãe permanece trancado em seu quarto, sem se preocupar com higiene ou alimentação. Em outro, o filho cortou todos os laços com o mundo exterior há sete anos e se recusa a tomar a medicação recomendada pelos médicos.

“Fiquei me perguntando o que fiz de errado… é doloroso pensar nisso. Mas, quando comecei a refletir, obtive certa clareza.”

Essas palavras refletem como uma das mães passou a entender melhor o filho, colocando-se em sua posição e buscando novas formas de comunicação.

O processo de confinamento não foi uma decisão impulsiva. As experiências de isolamento foram cuidadosamente planejadas, permitindo que os participantes vivenciassem o “confinamento” em uma estrutura chamada “Fábrica da Felicidade”, na província de Gangwon.

O fenômeno dos hikikomori

O termo surgiu no Japão na década de 1990 e descreve jovens e adultos que optam por um isolamento quase total, restringindo-se a suas casas ou quartos. Embora não seja um fenômeno novo, sua gravidade é alarmante; uma pesquisa recente revelou que mais de 5% da população jovem da Coreia do Sul vive em isolamento.

Esses dados indicam que aproximadamente 540.000 pessoas podem estar enfrentando circunstâncias semelhantes. Entre os jovens que se desconectam do mundo, 24,1% o fazem devido à dificuldade em encontrar emprego. Outros motivos incluem problemas de relacionamento interpessoal (23,5%), problemas familiares (12,4%) e problemas de saúde (12,4%).

Retornando aos casos mencionados, uma das mães continua se esforçando para se aproximar do filho, e o programa de isolamento permitiu que ela compreendesse melhor seus sentimentos.

“Aprendi que é fundamental aceitar a vida do meu filho como ela é, sem tentar impor um padrão predefinido”.

Ao chegar à “Fábrica da Felicidade”, a mãe encontrou bilhetes escritos por outros jovens em isolamento, e isso a ajudou a entender os motivos do filho: ele se protege com o silêncio porque sente que ninguém o compreende.

Embora o isolamento voluntário seja uma forma de escapar das preocupações diárias, não é uma solução para todos. Na Coreia do Sul, há pessoas que pagam para se isolar e fugir de suas rotinas agitadas. Essa decisão levanta questões sobre se o isolamento pode substituir a busca por ajuda e até onde esses programas poderão se expandir se os casos de isolamento continuarem a aumentar.

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