Juristas exigem que STF abra sigilos do Caso Master sem seletividade

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Professores da USP pedem transparência no Caso Master ao STF

Um grupo de professores da Faculdade de Direito da USP iniciou um abaixo-assinado exigindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) levante integralmente os sigilos do Caso Master. A solicitação inclui informações sobre a origem e o fluxo dos mais de R$ 60 milhões atribuídos a Daniel Vorcaro, que foram utilizados para financiar o filme Dark Horse.

O manifesto, assinado por renomados docentes como Fábio Konder Comparato e Calixto Salomão Filho, também conta com o apoio de profissionais de outras áreas, incluindo a socióloga Maria Victoria Benevides e o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Eles argumentam que a transparência é essencial para a compreensão dos fatos e para a salvaguarda da democracia.

No último domingo, o ministro André Mendonça se manifestou contra a divulgação integral dos dados extraídos do celular de Vorcaro, afirmando que isso poderia tumultuar o julgamento que ocorrerá na próxima terça-feira. O plenário do STF decidirá se autoriza uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que teria trocado mensagens com Vorcaro. Mendonça, por sua vez, também está sob análise, tendo admitido sua participação em um encontro com o banqueiro em março de 2025, quando Vorcaro já estava sendo investigado.

Em resposta à resistência de Mendonça, o ministro Cristiano Zanin ordenou que a Polícia Federal entregasse uma cópia integral dos dados do celular de Vorcaro até a noite do domingo. O presidente do STF, Edson Fachin, já havia afastado Mendonça da relatoria de todos os processos relacionados ao Caso Master e investigações sobre fraudes no INSS.

Os signatários do manifesto acreditam que a crise do STF só poderá ser resolvida por meio da transparência e da publicidade dos atos investigativos, além da autocorreção dos ministros envolvidos em conflitos de interesse. Eles ressaltam a importância da cooperação entre o STF, outros órgãos e a imprensa, garantindo um fluxo adequado de informações e o respeito às liberdades de expressão e informação.

As medidas propostas pelos autores do documento são consideradas urgentes, especialmente com a proximidade do calendário eleitoral. O manifesto destaca que é fundamental evitar que questões que devem ser resolvidas pelas instituições competentes se transformem em instrumentos de interferência nas eleições.

O documento, intitulado “Manifesto pela Consolidação da Democracia Brasileira”, propõe quatro medidas principais: garantir a transparência e a publicidade das informações, respeitar a distribuição constitucional de competências, promover a autocorreção e a colegialidade nas decisões do STF, e fomentar a cooperação institucional entre os diversos órgãos envolvidos nas investigações.

Os autores enfatizam que a autoridade do STF será fortalecida na medida em que suas ações forem transparentes e respeitarem os limites institucionais. Eles concluem que a atual situação é uma oportunidade para consolidar a democracia brasileira.

OBS.: Lista de assinaturas por ordem cronológica de adesão.

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