Gonet afirma não ter relação próxima com Vorcaro e menciona encontro para 2024

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Procurador-geral da República nega proximidade com Daniel Vorcaro durante julgamento no STF.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou em sessão do Supremo Tribunal Federal que não possui relação próxima com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e que as investigações não apontam irregularidades a seu respeito.

Gonet fez suas declarações após ser mencionado em um debate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ele enfatizou que nunca teve um relacionamento de proximidade com Vorcaro, afirmando: “Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”.

O procurador revelou que se encontrou com Vorcaro apenas uma vez, em abril de 2024, em uma reunião que contou com a presença de outras autoridades. Ele ainda mencionou uma breve ligação telefônica, intermediada por um advogado, que classificou como “brevíssima e banal”.

Gonet também comentou que as investigações realizadas não revelaram elementos juridicamente relevantes contra ele, destacando que “o resultado da IPJ aponta apenas mensagens sem nenhuma relevância jurídica”. Ele expressou agradecimento a Mendonça por reconhecer, durante a sessão, que não havia identificados fatos graves relacionados ao procurador-geral.

Além disso, Gonet defendeu a atuação do Ministério Público no caso Banco Master, afirmando que “quem analisa os fatos sem viés verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto”.

CASO VORCARO-MORAES

O julgamento sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, investigado por liderar uma das maiores fraudes ao Sistema Financeiro Nacional, teve início na manhã de 15 de setembro. Este caso é inédito na história do STF, envolvendo a análise de um relatório da Polícia Federal que sugere uma interlocução entre os dois.

O caso começou em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, divulgou um documento que indicava que Vorcaro solicitou interferência de Moraes nas investigações antes de sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025. O relatório também apontou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes.

Antes que as investigações pudessem prosseguir, Mendonça enviou o caso ao plenário do STF, onde agora os ministros deliberam sobre a continuidade das apurações pela Polícia Federal.

A Procuradoria Geral da República se manifestou em 1º de setembro, alegando que o procedimento da PF era inválido por duas razões: a primeira, que Mendonça teria ordenado diligências contra indivíduos específicos sem solicitação do Ministério Público; a segunda, que uma investigação contra um ministro do Supremo requer autorização do plenário da Corte.

CASO MENDONÇA

Em decorrência de sua atuação no inquérito, Mendonça enfrenta um pedido de investigação por parte de Moraes, que o acusa de abuso de autoridade e improbidade administrativa. Inicialmente, o procedimento foi instaurado no inquérito das fake news, mas o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso.

A ação de Moraes baseia-se em um relatório de inteligência da PF que sugere que Mendonça direcionou as investigações do Banco Master contra ele. A validade deste documento gerou uma disputa judicial sobre a permanência do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que, por decisão de Fachin, continuará no cargo até que uma análise mais aprofundada seja realizada.

O presidente do STF também programou um julgamento separado para o dia 23 de setembro, a fim de tratar das questões relacionadas ao caso.

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