Governador Leite se apresenta de forma inédita para defender pedágios na CPI
Governador aposta na transparência e transforma CPI em palco para defender concessões que prometem 600 km de duplicações em dez anos.
Em um movimento estratégico, o governador Eduardo Leite marcou presença na CPI dos Pedágios da Assembleia Legislativa, com a intenção de reforçar a confiança nas propostas de concessões rodoviárias. Espontaneamente, ele compareceu, respaldado por um ofício do líder do governo, deputado Frederico Antunes, evidenciando a disposição do Executivo em enfrentar críticas e discutir pedágios com base técnica.
Durante a abertura do ano legislativo, Leite já havia demonstrado abertura para o debate. Ele afirmou que críticas são bem-vindas, mas condenou o uso político de medos e desinformações. O governador enfatizou que o modelo de concessões é uma prática comum em vários governos, incluindo o federal, apesar das divergências políticas que mantém.
Leite argumenta que o Estado não pode continuar preso à lentidão do Daer, que, em quatro décadas, apenas duplicou 50 quilômetros. Com as concessões, a promessa é de 600 quilômetros em uma década, apresentando a decisão como uma escolha entre inércia e transformação, desviando o debate de uma perspectiva partidária para uma abordagem de eficiência administrativa.
Os projetos já foram auditados pelo Tribunal de Contas do Estado, que não encontrou irregularidades, um ponto que o governo utiliza para se proteger contra acusações de favorecimento. Além disso, a participação de especialistas da Secretaria de Parcerias e do BNDES na modelagem dos projetos contribui para a credibilidade das propostas apresentadas.
Detalhes dos blocos de concessão
O primeiro bloco abrange 454 km, envolvendo 27 municípios e 34% da população do Rio Grande do Sul, incluindo a nova ERS-010, que oferece uma alternativa à BR-116. O segundo bloco consiste em 409 km, que incluirá 182 km de duplicações e melhorias em 32 cidades, impactando 17,5% da população. A implementação de um sistema free flow promete modernizar a cobrança e reduzir filas nas estradas.
Os investimentos bilionários esperados não apenas visam gerar empregos diretos e indiretos, mas também ter um impacto positivo na logística de exportação, especialmente nas áreas de agronegócio e indústria metalmecânica.
Desafios políticos enfrentados
Ainda que o planejamento técnico seja robusto, a CPI se tornou um espaço de disputas políticas. Parlamentares da oposição levantam questões sobre tarifas, cronogramas e os impactos sociais das concessões, principalmente em pequenas cidades. Há críticas sobre a viabilidade de trechos menos movimentados, que poderiam ter pedágios considerados altos pela população local.
O presidente da CPI, Paparico Bacchi, enfatiza que o processo deve ser técnico, embora reconheça que a convocação de Leite era inevitável. A presença voluntária do governador visa inverter essa narrativa, ao se colocar à disposição para dialogar e defender o projeto.
Impacto das concessões
As concessões, se implementadas, poderão provocar uma mudança significativa na malha rodoviária do estado. Além da duplicação de estradas, estão previstas obras que aumentam a segurança, como passarelas e terceiras faixas, com o objetivo de reduzir acidentes e melhorar a mobilidade. O sistema free flow, já testado em outros países, é considerado uma inovação que pode eliminar filas e ajustar a cobrança ao uso efetivo da rodovia.
Com essa antecipação à CPI, Eduardo Leite tenta transformar uma potencial crise em uma oportunidade para reafirmar sua liderança e a viabilidade das concessões. Sua atitude é simbólica, mostrando disposição em enfrentar a assembleia e defender pessoalmente o projeto, evidenciando que o futuro das estradas gaúchas não pode ser refém de um passado de estagnação.
A abordagem do governador sugere que a CPI pode ser um espaço não apenas para críticas, mas também para a consolidação de uma visão de modernização, onde a discussão sobre pedágios é apresentada como uma escolha entre estagnação e progresso.
