Gonet confirma reunião com Vorcaro em Londres, mas nega amizade com o banqueiro
Paulo Gonet nega amizade com banqueiro e se defende em processo no Ministério Público Federal.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconheceu um encontro com Daniel Vorcaro em Londres, em abril de 2024, mas negou qualquer relação de amizade com o banqueiro. Em um documento extenso enviado ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, Gonet foi claro ao afirmar sua posição.
Ele destacou que não possui interesse pessoal nos processos que envolvem Vorcaro, reforçando sua falta de vínculos com o banqueiro. A declaração foi feita em resposta a um pedido do subprocurador-geral da República, que investiga uma possível ligação entre Gonet e Vorcaro no contexto de um procedimento relacionado ao Banco Master.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal, que é a instância máxima administrativa do órgão, agendou uma sessão para o dia 25, onde irá discutir as alegações de ligação entre Gonet e Vorcaro, com base em documentos da Polícia Federal.
Mensagens trocadas entre Gonet e o advogado Ciro Soares foram citadas, nas quais o procurador teria expressado saudade de Vorcaro, além de o banqueiro ter solicitado intervenções de autoridades nas investigações sobre o Banco Master. Gonet, no entanto, minimizou a interpretação dessas mensagens, alegando que não eram direcionadas a Vorcaro.
Ele também refutou a ideia de que teria feito comentários sobre Vorcaro, explicando que expressões utilizadas em mensagens foram mal interpretadas e não têm relevância no contexto das investigações.
O Conselho é composto por dez membros, incluindo o procurador-geral e o vice-procurador-geral, além de quatro subprocuradores-gerais. A próxima sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho, que foi eleito por seus pares.
Gonet classificou as acusações contra ele como absurdas e dividiu suas explicações em dois blocos: um sobre sua interação com Vorcaro e outro sobre sua atuação na Operação Compliance Zero. Ele reiterou que sua única interação com o banqueiro ocorreu em um evento em Londres, onde participou de discussões sobre temas jurídicos e políticos.
O procurador não reconhece qualquer erro em sua conduta e afirmou que continuará a atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, defendendo que não há justificativa para uma investigação criminal sobre sua atuação.
Ele também destacou que não houve interferência em investigações e que sempre respeitou o trabalho de seus colegas, assegurando que o suporte necessário foi fornecido para a apuração correta dos fatos.
Gonet esclareceu que o encontro em Londres foi parte de um painel sobre o papel do Judiciário e que Vorcaro era desconhecido para ele até aquele momento. O Banco Master não era um patrocinador do evento, e Gonet o via como uma instituição financeira regular.
O procurador enfatizou que sua única interação com Vorcaro foi em um contexto social, sem envolvimento em discussões profissionais ou conhecimento de atividades ilícitas relacionadas ao banco. Ele reafirmou que não havia informações públicas sobre irregularidades na época do encontro.
Gonet expressou que tentativas de constrangê-lo não devem afetar sua atuação e que a abertura de investigações deve ser feita com base em fundamentos legais adequados.
Por fim, ele reafirmou seu compromisso com a ética e a transparência em sua função, garantindo que sua atuação nos casos relacionados ao Banco Master é juridicamente adequada.
