Psicologia revela que curar traumas envolve libertar-se do passado e não apenas apagá-lo
Estudo revela como traumas psicológicos afetam corpo e emoções ao longo do tempo.
Bessel van der Kolk, psiquiatra e pesquisador renomado, trouxe à tona uma compreensão profunda sobre os efeitos duradouros do trauma psicológico. Em sua obra, ele argumenta que experiências traumáticas não se limitam a serem apenas memórias; elas impactam profundamente o corpo, as emoções e as interações sociais de um indivíduo.
Essa visão inovadora transforma a compreensão da recuperação emocional. Curar-se não implica em apagar o passado, mas sim em recuperar a habilidade de viver no presente, sem que experiências dolorosas determinem as reações diárias. A lembrança de eventos traumáticos pode ainda fazer parte da vida da pessoa, mas o que muda é o controle que esses eventos têm sobre suas ações e sentimentos.
Mesmo após o término de uma situação traumática, suas repercussões podem persistir, afetando o comportamento e as emoções. Van der Kolk destaca que o trauma pode influenciar não apenas a memória, mas também a resposta física e emocional às situações cotidianas. Isso explica por que algumas situações comuns podem desencadear reações desproporcionais, como:
- Dificuldade em confiar em outras pessoas;
- Medo em situações que remetem a experiências passadas;
- Reações emocionais intensas;
- Sensação de reviver experiências anteriores;
- Dificuldade em formar ou manter vínculos afetivos.
Essas reações não são sempre consequências diretas de traumas, mas sim reflexos de como experiências difíceis moldam a forma como o cérebro e o corpo reagem ao ambiente. Assim, “não apagar o passado” se torna um conceito mais complexo, que envolve reconhecer como essas experiências ainda afetam a vida atual. O foco não deve ser esquecer, mas sim entender e integrar essas vivências na trajetória pessoal.
A recuperação emocional é um processo que visa restaurar a sensação de segurança e permitir a construção de novas experiências. No trabalho de van der Kolk, elementos como autoconhecimento e acolhimento são fundamentais para essa reconstrução. Isso facilita o desenvolvimento de novas relações, onde o passado não interfere de maneira negativa nas interações presentes.
É importante ressaltar que a recuperação não é instantânea. Trata-se de um processo gradual que pode variar ao longo do tempo. A chave está em diferenciar entre lembrar e permitir que essas lembranças governem a vida. Uma pessoa pode reconhecer suas dores sem que elas definam seu futuro. A verdadeira cura reside em transformar o impacto que essas experiências têm sobre a vida, permitindo que o passado ocupe um lugar de aprendizado e não de dominação.
