Fóssil de réptil jurássico encontrado na Espanha revela nova evidência de espécie antes conhecida apenas no Reino Unido
Descoberta de ictiossauro e diplodoco na Espanha revela riqueza paleontológica do Jurássico.
Em 2009, um morador de Madri, ao caminhar pela praia de Vega, fez uma descoberta inesperada ao tropeçar em ossos fossilizados. Após 17 anos de pesquisas, foi confirmado que esses restos pertenciam a um ictiossauro de 192 milhões de anos, um achado inédito fora do Reino Unido.
O Museu do Jurássico das Astúrias anunciou que, após uma comparação meticulosa com exemplares britânicos, os pesquisadores identificaram os ossos como pertencentes à espécie Ichthyosaurus anningae. Este réptil marinho, que não é um dinossauro, tinha um formato semelhante ao de um golfinho e dominou os mares do Jurássico antes do surgimento das baleias. O exemplar encontrado media cerca de 2 metros e se destacou por ser o maior conhecido da espécie, superando os encontrados na Inglaterra.
A idade do ictiossauro foi determinada por amonites, que situam sua existência no Pliensbaquiano, há 192 milhões de anos, quando a região das Astúrias era um fundo marinho raso e pobre em oxigênio. O nome da espécie homenageia Mary Anning, uma pioneira na paleontologia, que fez importantes descobertas de fósseis na Inglaterra.
Além do ictiossauro, a costa entre Gijón e Ribadesella é conhecida como a “costa dos dinossauros”, onde foram encontrados outros fósseis, incluindo um ictiossauro do gênero Leptonectes. Esses achados demonstram uma rica diversidade de répteis marinhos coexistindo na mesma região durante o Jurássico.
O caso do diplodoco
Simultaneamente, a 700 quilômetros de distância, uma descoberta significativa ocorreu em um sítio paleontológico em El Castellar. Quatorze vértebras caudais de um diplodoco foram encontradas, representando um dos esqueletos mais completos desse gênero já recuperados na Europa.
O fóssil, datado de quase 150 milhões de anos, marca a primeira evidência de diplodoco fora da América do Norte. Até então, todos os espécimes conhecidos haviam sido encontrados apenas na Formação Morrison, nos EUA. A descoberta em Teruel amplia o conhecimento sobre a distribuição geográfica desses dinossauros.
Os pesquisadores analisaram as características anatômicas e realizaram análises filogenéticas, confirmando a identidade do fóssil como pertencente ao gênero Diplodocus. Essa evidência sugere que durante o Jurássico Superior, existiram conexões terrestres temporárias entre a América do Norte e a Europa, permitindo a migração de fauna entre os continentes.
Essas descobertas não apenas enriquecem o registro paleontológico da Espanha, mas também oferecem novas perspectivas sobre a dinâmica da vida pré-histórica durante um período crucial na história da Terra.