Paes se esforça para contornar polêmica e se prepara para a transição na disputa pelo Governo do Rio
Eduardo Paes se prepara para deixar a prefeitura e concorrer ao Governo do Rio de Janeiro.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou que pretende deixar seu cargo em março para se candidatar ao Governo do Estado. Embora tenha mantido um discurso de que concluiria seu mandato até 2028, aliados começaram a questionar sua sinceridade, levando a uma série de especulações sobre sua real intenção política.
As articulações políticas se intensificam em um cenário de incertezas, especialmente com as investigações da Polícia Federal que podem impactar o futuro político do estado. A iminente renúncia do governador Cláudio Castro para concorrer ao Senado adiciona mais complexidade ao quadro eleitoral.
Durante o último ano, Paes se dedicou a preparar a transição para o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, buscando garantir que não haverá rupturas na administração municipal. O futuro prefeito tem participado ativamente das discussões sobre as eleições, que podem influenciar a nova composição da prefeitura.
Recentemente, Paes começou a sinalizar publicamente sua candidatura ao Governo. Ele tem investido na promoção das ações do município na área de segurança pública, um tema central para sua futura campanha. A construção de terminais de corredores de ônibus voltados à Baixada Fluminense é um exemplo de como ele busca se conectar com o eleitorado da região metropolitana.
Em suas viagens pelo interior do estado, Paes adotou um novo visual, trocando o tradicional chapéu panamá por um chapéu de vaqueiro, simbolizando sua tentativa de se aproximar dos eleitores do interior. No Réveillon, diversificou suas postagens, destacando não apenas as praias cariocas, mas também o litoral das cidades da Região dos Lagos.
As conversas com partidos como MDB e PP estão em andamento, visando ampliar sua base de apoio no interior do estado. O objetivo é minimizar a associação de sua candidatura com o governo federal e o PT, em um estado que apresenta um perfil majoritariamente bolsonarista. Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, é um dos nomes cogitados para a vice, mas a definição deve ocorrer apenas em meados do ano.
As incertezas sobre a sucessão no Palácio Guanabara aumentaram com as investigações envolvendo o deputado Rodrigo Bacellar. Ele era considerado um forte candidato à sucessão, mas foi afastado por decisão judicial devido a suspeitas de envolvimento em irregularidades. A situação de Bacellar reabriu o debate sobre quem assumirá o governo interinamente após a esperada renúncia de Castro.
Paes está atento a essas discussões, mas não pretende indicar um nome para a transição. O secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, é visto como uma opção, embora sua falta de ambições políticas suscite desconfiança entre os aliados.
No âmbito municipal, Paes tem delegado a gestão diária ao vice-prefeito, que tem participado de anúncios importantes, sinalizando uma transição contínua. Um momento marcante ocorreu durante a apresentação do Plano Estratégico 2025–2028, onde Paes cometeu um deslize ao mencionar que Cavaliere herdará a marca de prefeito mais jovem da história do Rio.
Após a declaração, Paes tentou minimizar a situação, mas a argumentação foi enfraquecida, pois Cavaliere já havia atuado como prefeito interino em outras ocasiões. Essa situação se seguiu a uma brincadeira do presidente nacional do PSD, que questionou a hesitação de Paes em assumir sua pré-candidatura.
Aliados do prefeito acreditam que o episódio não trará grandes desgastes políticos. Pesquisas internas indicam que a população deseja que Paes concorra ao governo do estado, que enfrenta desafios significativos, incluindo uma crise financeira e questões de segurança pública.
