Eleições Realizadas em Público

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A segurança das urnas eletrônicas e a confiança do eleitor são os pilares da democracia brasileira.

A segurança das urnas eletrônicas no Brasil vai além de um debate técnico; trata-se de uma questão de percepção pública e confiança nas instituições. Após as eleições de 2022, que foram marcadas por ataques ao processo de votação, a Justiça Eleitoral se viu diante do desafio de melhorar sua transparência com a sociedade.

Como resposta, foi elaborado um conjunto de 14 resoluções que regulamentam as Eleições Gerais, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. Essas resoluções foram aprovadas após audiências públicas que registraram um número recorde de contribuições da sociedade civil. Em 12 de maio de 2026, Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral com a promessa de agir de maneira proativa e transparente.

A postura adotada é metódica, mas isso gera ambiguidade que merece análise. O ciclo preparatório para as eleições é robusto e possui respaldo verificável. A abertura dos códigos-fonte, que já era prevista na legislação desde 2002, teve seu prazo de inspeção ampliado de seis para doze meses a partir de 2021. Essa abertura começou em outubro de 2025, permitindo que instituições independentes realizassem vistorias técnicas.

A integridade dos sistemas eleitorais foi testada na oitava edição do Teste Público de Segurança, realizado de 1º a 5 de dezembro de 2025. É importante esclarecer que o objetivo desse teste não é afirmar a inexistência de vulnerabilidades, mas sim identificá-las. O TSE reconheceu as fragilidades apontadas e implementou correções, que foram retestadas entre 13 e 15 de maio de 2026, demonstrando que a busca por segurança é contínua e credível.

Um sistema que não encontra falhas é um sistema que não está sendo adequadamente testado. Essa é uma defesa fundamental do eleitor contra desinformações. Quando alguém afirma que “não se pode auditar a urna”, é crucial saber que, na verdade, o sistema eleitoral brasileiro foi aberto a ataques de especialistas independentes, corrigido e retestado publicamente.

No dia da votação, em 4 de outubro, será realizado o Teste de Integridade, que tem sido aplicado desde 2002. Neste teste, urnas são sorteadas em uma sessão pública e recebem votos de cédulas de papel preenchidas por voluntários e partidos, com a contagem sendo registrada continuamente. Em 2026, essa metodologia incluirá um Teste de Integridade com Biometria, embora seja importante notar que a amostra de urnas testadas é pequena em comparação ao total. O teste não audita a eleição, mas demonstra publicamente que a correspondência entre o voto em papel e o eletrônico funciona nas unidades verificadas.

O modelo brasileiro se assemelha a práticas de auditoria eleitoral em outros países, mas é necessário ser honesto nas comparações. Na Índia, por exemplo, as urnas emitem um comprovante impresso desde 2013, algo que o Brasil ainda não implementou. Nos Estados Unidos, condados do Arizona realizam testes de Lógica e Precisão de forma pública e bipartidária.

É essencial direcionar a conversa para o eleitor, não apenas para o sistema. Nenhuma urna do mundo pode resolver a dificuldade de aceitar um resultado que contraria as expectativas do eleitor. A ciência cognitiva identifica isso como viés de confirmação, onde as pessoas tendem a considerar como verdadeiras apenas as informações que confirmam suas crenças.

Ter uma posição política não desqualifica ninguém; é o que move a democracia. O que realmente desqualifica é permitir que a posição política determine quais fatos são dignos de exame.

A auditoria das urnas eletrônicas brasileiras alcançou um alto nível de maturidade, com a ministra Cármen Lúcia destacando as “40 possibilidades de fiscalização e auditoria dos sistemas eleitorais antes, durante e após as eleições”. No entanto, os desgastes observados nas últimas eleições não decorrem da insuficiência dos algoritmos, mas de disputas no campo político e comunicacional. Portanto, nenhum aumento de protocolos resolverá uma crise que se origina nas percepções dos eleitores.

O que mudou em 2026 não foi a tecnologia das urnas, mas a experiência de fiscalização, convidando o eleitor a ser testemunha da apuração em sua seção. O verdadeiro desafio agora é garantir que o cidadão conheça suas prerrogativas e aprenda a reconhecer seus próprios vieses, pois a transparência técnica só se transforma em

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