Ex-funcionárias grávidas processam Amazon nos EUA por restrições a pausas para sentar e ir ao banheiro durante a gestação
Amazon enfrenta processo por supostas violações dos direitos de trabalhadoras grávidas
A Amazon está sendo processada nos Estados Unidos por quatro ex-funcionárias de armazéns em Nova York que alegam ter sido impedidas de receber adaptações básicas durante a gravidez, como pausas para ir ao banheiro, descanso de 15 minutos e a possibilidade de trabalhar sentadas.
A ação coletiva acusa a empresa de violar a Pregnant Workers Fairness Act (PWFA), uma lei federal aprovada em 2022 que exige que empregadores ofereçam adaptações razoáveis a trabalhadoras grávidas, desde que não representem dificuldade ou custo excessivo para a empresa.
As autoras do processo, que trabalhavam em armazéns da Amazon em Nova York, solicitaram mudanças nas condições de trabalho para continuar desempenhando suas funções durante a gestação. Entre os pedidos estavam pausas para usar o banheiro, uma pausa adicional de 15 minutos e a possibilidade de trabalhar sentadas em vez de permanecer em pé.
O processo alega que os pedidos foram negados e que as funcionárias tiveram que continuar trabalhando nas mesmas condições. Quando fizeram pausas ou se ausentaram por motivos médicos, como consultas ou atendimentos de emergência, afirmam ter sido punidas.
Um dos relatos inclui uma funcionária que foi penalizada por retirar leite materno em uma sala de lactação, com o tempo utilizado registrado como “inatividade”.
As quatro trabalhadoras foram posteriormente demitidas pela Amazon. Elas buscam, por meio da ação coletiva, mudanças nas políticas da empresa, além de indenizações pelas supostas violações, abrangendo também outras trabalhadoras que enfrentaram situações semelhantes.
Organização relata aumento de denúncias
De acordo com a ação, os casos não são isolados. Uma organização que representa as trabalhadoras afirma ter recebido dezenas de relatos de funcionárias grávidas da Amazon somente em 2025. As reclamações envolvem pedidos básicos, como acesso a cadeiras, pausas adicionais e tempo para consultas pré-natais.
“Negar a uma trabalhadora grávida um banquinho, uma carga de trabalho mais leve ou uma pausa para ir ao banheiro é uma violação da lei federal”, destacou a presidente da organização.
A ação também menciona investigações realizadas por autoridades estaduais em Nova Jersey e Nova York, além de conclusões da Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC) sobre práticas relacionadas a trabalhadoras grávidas da Amazon.
Amazon refuta as alegações
A Amazon contestou as alegações apresentadas no processo. Em declaração, uma porta-voz da empresa afirmou que a descrição dos acontecimentos é imprecisa.
Segundo a empresa, garantir a saúde e o bem-estar dos funcionários é uma de suas responsabilidades, e a companhia oferece suporte a dezenas de milhares de trabalhadoras que recebem adaptações relacionadas à gravidez todos os anos.
A Amazon também afirmou ter aprovado mais de 99,9% dos pedidos de adaptações relacionadas à gravidez no último ano, alegando que os relatos apresentados pela organização contêm imprecisões e omitem informações relevantes.
As acusações ainda estão sendo analisadas pela Justiça americana.