Kremlin Bloqueia WhatsApp em Resposta à Resistência às Leis Russas
WhatsApp é bloqueado na Rússia devido à resistência em cumprir leis locais.
O Kremlin anunciou nesta quinta-feira que decidiu bloquear o WhatsApp na Rússia, citando a “resistência de cumprir a lei” russa como a principal razão para a medida.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou em coletiva de imprensa que a decisão foi tomada devido à relutância do aplicativo em se adequar às normas estabelecidas pelo governo.
Em resposta, o WhatsApp expressou sua intenção de continuar operando na Rússia e criticou o governo de Vladimir Putin por essa ação, que considerou um retrocesso para a comunicação segura no país.
A empresa destacou que essa tentativa de isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada pode resultar em menos segurança para a população russa.
Peskov, no entanto, evitou comentar sobre a possibilidade de bloquear o Telegram, sugerindo que os jornalistas consultassem o Roskomnadzor, a autoridade reguladora da internet na Rússia. O Telegram é uma plataforma significativa no país, especialmente entre os soldados que se comunicam com suas famílias durante o conflito na Ucrânia.
Na quarta-feira, foi relatado que a Rússia havia removido o WhatsApp, Instagram e Facebook de um diretório online mantido pelo Roskomnadzor, efetivamente bloqueando o acesso a essas plataformas.
Essa ação torna praticamente impossível o acesso a esses aplicativos sem o uso de ferramentas como VPNs. O governo russo classificou os aplicativos como “extremistas”, o que justifica sua exclusão do diretório.
Embora o acesso ao YouTube tenha sido limitado, não está claro se ele foi removido do diretório. A decisão de bloquear o Instagram e o Facebook indica que o governo russo pretende manter essas plataformas suspensas por um período prolongado.
O WhatsApp, que possui uma base de 100 milhões de usuários na Rússia, classificou o bloqueio como um movimento que pode levar a um aumento da insegurança para a população.
Em um comunicado, o WhatsApp afirmou que o governo russo está tentando direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal, o Max, que não oferece criptografia, permitindo que terceiros acessem as conversas dos usuários.
O Max, desenvolvido pela rede social russa VKontakte, estava relativamente desconhecido até ser promovido como o “mensageiro nacional”. A VK é controlada por aliados de Putin.
A Rússia também impôs restrições ao Telegram, limitando o acesso e bloqueando chamadas de voz, uma medida que já havia sido aplicada ao WhatsApp anteriormente.
O cofundador do Telegram, Pavel Durov, criticou a ação do governo, afirmando que forçar a população a migrar para o Max não é a solução apropriada. Ele comparou a situação com a estratégia fracassada do Irã, onde a maioria dos cidadãos continuou a usar o Telegram, contornando a censura.
Durov defendeu a liberdade de expressão e a privacidade, afirmando que restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta correta.
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