União Europeia prorroga sanções contra Moscou e isenta dois oligarcas russos
União Europeia prorroga sanções contra a Rússia, mas isenta dois oligarcas controversos
A União Europeia decidiu, nesta terça-feira, prorrogar suas sanções contra a Rússia, apesar das objeções da Ucrânia e das pressões de França e Luxemburgo, que conseguiram excluir dois oligarcas da lista restritiva.
Os representantes dos 27 países do bloco renovaram as sanções contra aproximadamente 3.000 indivíduos e entidades acusados de apoiar a agressão russa à Ucrânia, poucas horas antes do prazo final.
Entretanto, os empresários Alisher Usmanov e Mikhail Fridman foram isentados das sanções, conforme informado por fontes diplomáticas. A Letônia, que inicialmente se opôs à remoção, concordou em se abster para viabilizar o acordo.
Usmanov, um magnata do setor de metais, e Fridman, empresário do setor bancário, foram adicionados à lista de sanções logo após a invasão russa da Ucrânia em 2022, devido ao papel de suas empresas no financiamento do Kremlin.
A Ucrânia reagiu com indignação, considerando a isenção uma decisão “vergonhosa” e “injustificada”, e solicitou que os países da UE impusessem sanções nacionais contra os dois oligarcas.
O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, expressou sua frustração nas redes sociais, afirmando que a decisão apenas reforça a sensação de impunidade de Moscou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, também criticou a decisão, descrevendo-a como uma “concessão” ao Kremlin, especialmente em um momento em que a Rússia intensifica seus ataques contra a Ucrânia.
Embora a França justifique sua demanda de suspensão das sanções por questões de “segurança nacional”, especula-se que o pedido esteja relacionado a negociações para a libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Luxemburgo, por sua vez, defende a retirada de Fridman da lista, temendo que a exclusão apenas de Usmanov favoreça o empresário em uma disputa judicial sobre ativos congelados.
A prorrogação das sanções visa ampliar a pressão sobre quase 3.000 pessoas e entidades ligadas à guerra na Ucrânia por mais três anos.
‘Inaceitável’
O chanceler ucraniano criticou a retirada das sanções, afirmando que isso envia um sinal equivocado a Moscou em um momento em que é necessário intensificar a pressão.
Zelensky elogiou a Letônia por sua posição firme contra a agressão russa e destacou a importância de manter a frente jurídica contra a guerra.
O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, afirmou que a decisão não era entre uma boa e uma má solução, mas entre uma má e uma péssima.
Após o anúncio do acordo, Kulbergs indicou que a França concordou em discutir a ampliação de sua dissuasão nuclear e o aumento da presença de suas forças aéreas na Letônia.
Em contrapartida, a Rússia pediu o fim das sanções para todos os empresários russos, com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, solicitando a retirada das restrições.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, reiterou a necessidade de manter as sanções contra a Rússia, destacando que são fundamentais para impedir o financiamento da guerra.
A lista de sanções da UE inclui figuras proeminentes como o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.